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quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O Ódio que Semeias - Angie Thomas


Título| O Ódio que Semeias
Autor| Angie Thomas
Editor| Editorial Presença
Páginas| 352

Já tinha ouvido falar tanto neste livro, que decidi que deste ano não passava e decidi inseri-lo na lista dos 12 livros que eu precisava ler sem falta em 2019. Decidi lê-lo este mês e não poderia estar mais feliz, porque ele superou todas as minhas expectativas. Se estão à procura de um livro juvenil leve, com certeza este não é o livro indicado!
«Tupac disse que Thug Life, “vida bandida”, queria dizer “The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody”, ou “o ódio que você passa pra criancinhas fode com todo o mundo”.»

Starr Carter é a nossa protagonista. Desde muito nova, aprendeu com os pais, como uma pessoa negra se deve comportar em frente à polícia: "seja obediente", "não faça movimentos bruscos", "deixe as mãos visíveis", "só fale se te perguntarem algo"... Mas nada a preparava para o que ia acontecer. Na volta de uma festa que não deu muito certo, Starr e o seu amigo Khalil são parados e o que ela espera é que ele também saiba as regras. Um movimento errado, uma suposição, tiros são disparados e Khalil é morto. Ela é a única testemunha e precisa decidir se está na hora de usar a sua voz, para lutar por justiça e fazer o que é certo.

É um livro com uma história pesada, que nos abre os olhos sobre muitos assuntos. Aqui são retratados os vários bairros onde a venda de drogas é algo natural, assim como a separação dos territórios e os seus chefes (King Lords). Percebemos o quanto o racismo ainda é um assunto atual (infelizmente), que se vai vendo nas pequenas coisas; coisas que por vezes nos parecem inofensivas. Mas será que se em vez de uma pessoa negra, se tratasse de um branco, as decisões seriam as mesmas?

É nisto que este livro nos faz pensar: o quanto a cor, a posição social ou até o bairro onde moramos, pode determinar ou não quem somos. E devemos calar-nos perante as injustiças? Devemos apenas aceitar que alguém seja tratado de forma inferior só tendo em conta a cor da sua pele? Starr decidi que não! Que chegou a altura de falar, de lutar e de fazer as pessoas entenderem. Temos aqui uma protagonista extremamente humana, com os seus medos e defeitos, mas uma guerreira e, acima de tudo, uma menina muito genuína e incrível.

Sobre o livro não quero falar muito mais, para não vos estragar a surpresa. Leiam, reflitam, aprendam... O racismo não é algo do passado! Está presente em pleno século XXI e é preciso lutarmos, para que um dia a cor, a raça, a nacionalidade, a etnia, a religião... não sejam assuntos relevantes entre nós.

Livro x Filme

Antes de mais tenho a dizer que eu amo a Amanda Stenberg, a actriz escolhida para protagonizar Starr e, portanto, já previa um filme incrível, mas não sabia que seria tão perfeito assim. Adorei a escolha de todos os actores escolhidos, sendo que foi uma grande surpresa ver KJ Apa (Archie, em Riverdale) como Chris, porque tinha um certo ódio de estimação por este menino, mas adorei o seu trabalho. É também de salientar os papéis de Regina Hall (Lisa Carter, mãe de Starr) e Russel Hornsby (Maverick Carter, pai de Starr). 

Logo no início percebi que a adaptação estava a ser muito fiel ao livro, mas depois tudo mudou. Vão sentir falta de algumas cenas e, até de alguns personagens (Tchau DeVante), mas todas as mudanças feitas fizeram todo o sentido, incluindo aquelas que foram acrescentadas. Se o livro é emocionante, o filme é devastador! Eu senti-me completamente destruída, sendo que já estava a chorar desde os primeiros 15 minutos. Pelo menos de meia em meia hora, tem algo que nos faz encher os olhos de lágrimas e em muitas das cenas foi mesmo preciso um lencinho e até um copo de água. É real, é duro, é cru...

Como eu disse, a Amanda é incrível e voltou a dar provas disso. As emoções que ela transmite são palpáveis. Existe uma cena (não é propriamente um spoiler, podem ler à vontade), em que ela está irritada e começa a esmurrar o tablier do carro e eu juro-vos que é possível sentir o ódio, a raiva e a sensação de impotência que ela sente. Sem dar spoiler, tenho a dizer-vos que as minhas cenas favoritas não aparecem no livro, sendo uma quando a Starr se irrita (não vou falar mais) e o final que é diferente. As mudanças que fizeram em algumas das minhas cenas favoritas também me surpreenderam... Acho que fizeram um trabalho incrível!

Agora trazendo uma péssima notícia: parece que o filme não vai estrear nos cinemas em Portugal. O motivo eu não sei, mas o filme já saiu em tudo quanto é sítio, mas aqui não há notícia, não há publicidade, não há cartaz... Sendo que eu tinha ouvido que ia sair em Fevereiro, mas agora não vejo nada que comprove isso! Se souberem de alguma coisa informem-me por favor!
"Thug Life"
Beijinhos

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Dumplin' - Julie Murphy


Título| Dumplin'
Autor| Julie Murphy

Antes de começar-mos com a resenha quero que percebam uma coisa muito importante: gorda não é um insulto. Gorda é uma palavra como outra qualquer, que se torna um insulto pelas pessoas que o usam ou aceitam como tal. Não há cá gordinha, fofinha ou fortezinha... é gorda. E está tudo bem!

Willowdean Dickson é a nossa protagonista de 16 anos, a quem a sua mãe (ex-miss) chama Dumplin, que seria algo como "bolinho frito". Gorda e com a auto-estima lá em cima, nunca sentiu problemas com o seu corpo ou com a sua vida. Trabalha num restaurante chamado Harpy's Burgers & Dog, com aquele que é o seu crush, o Bo. A sua melhor amiga é a Ellen, com que partilha o amor pela cantora Dolly Parton. A mãe da Dumplin dirige o concurso Miss Jovem Flor do Texas, no qual ela nunca pensou em participar... até agora!

Ela começa a sentir-se insegura com o seu corpo quando Bo mostra que o sentimento é recíproco. A partir de então, surgem sentimentos conflituosos e divergentes na mente de Dumplin. Afinal ela sempre foi alguém que defendeu que cada qual é como é, mas cada vez que Bo lhe toca, ela sente-se receosa e envergonhada. Ela acaba por decididir participar no concurso de miss, afinal não existe nenhuma cláusula que diz que ela não o possa fazer e, várias meninas que também se sentiam de alguma forma inseguras com a sua imagem, acabam por ganhar coragem para participar também.

"Há algo no biquíni que faz com que as mulheres achem que precisam conquistar o direito de usá-lo. E isso é um absurdo. Na verdade, o critério é muito simples: você tem um corpo não tem? Então veste um e manda ver!"

Eu acabei por adorar a Willowdean do fundo do meu coração. Ela sabia que era gorda e não via um problema nisso mas, independentemente de sermos gordos ou magros, todos nós passamos por uma fase de insegurança com o nosso corpo e nunca estamos satisfeitos a 100% com aquilo que deus nos deu. No entanto, em nenhum momento do livro existe aquela típica mudança de imagem para que os outros gostem dela. Ela entende que é algo que precisa aceitar e de se sentir bem consigo mesma.

Este livro foi além das minhas expectativas. Para além de falar de gordofobia, fala sobre outros tipos de bullying. Gostei de ambos os meninos aqui no livro (não posso dar spoilers) e confesso que em muitas cenas fiquei indecisa no meio deste triângulo amoroso. Também fala sobre a amizade e sobre um ponto em específico que eu já tive que ultrapassar: as mudanças e crescimento pessoal, as diferenças e o afastamento. No meio disto tudo, também existe tempo para falar de aceitação por parte dos pais, do medo de falhar, do poder da superioridade e ... drag queens 😂

Livro x Filme
Agora vamos falar sobre a adaptação, que foi o que primeiramente me fez querer ler este livro. Agora que tomei conhecimento de ambos, posso fazer uma breve comparação e dizer-vos o que achei. No filme temos Danielle Macdonald, como Dumplin e Jennifer Aniston como sua mãe.

Confesso que inicialmente torci um bocado o nariz para a Danielle Macdonald, mas acabei por gostar da representação dela. Já a Jennifer Aniston foi incrível tal como eu esperava. Mas quem merece os meus parabéns é a Maddie Baillio, que fez com que a Millie se tornasse a minha personagem favorita no filme.

É bom salientar que existem bastantes diferenças entre o livro e a sua adaptação, que pode agradar a uns e desiludir a outros. Eu acho que me encontro no meio, porque ainda estou a absorver as minhas emoções 😂 Posso já adiantar que quem se queixou do romance no livro, vai adorar o filme, visto que se focaram completamente no concurso e nem sequer existe um triângulo amoroso #chateada

Eu, particularmente, gostava de ter visto mais do romance. Muita coisa acontece no livro, enquanto que no filme temos um pouquinho de história no início e depois só voltamos a isso no final. A desavença entre a Dumplin' e a Ellen também perdeu relevância, sendo tratada de uma forma mais leviana, o que eu não gostei. Para mim foi um dos assuntos importantes do livro, pois é algo muito real e que talvez ajudasse algumas meninas que sentem que se estão a afastar das melhores amigas e não compreendem. Todos já passamos por isso! Também cortaram um dos meus momentos favoritos: a conversa entre a Dumplin´e a Hannah, na festa do pijama em casa da Millie.

Mas nem todas as mudanças são más! Como eu já disse, adorei a Millie e acho que lhe deram mais destaque, sendo que ela representa duas personagens do livro, mas acho que foi melhor assim. A mãe da Dumplin' também estava muito melhor! No livro, ela nunca chega realmente a mostrar as suas emoções, sendo muito fria e "abonecada", já no filme, a maioria das cenas que me fizeram chorar, foi as que ela protagonizou.

Por fim, adorei as drag queens! Para quem não sabe eu sou muito fã de Ru Paul's Drag Race e aparece uma ex-concorrente que eu gostava (não vou dizer qual hahaha vão ter que ver o filme ou pesquisar). Achei tudo lindo e das cenas mais amorosas são com elas, assim como as mais divertidas.

Conclusão final: acho que o livro ganha, mas por pouco, mas acho que o filme vale a pena. Leiam o livro primeiro, mas não deixem de ver a adaptação. E agora apetece-me ouvir as músicas da Dolly Parton, principalmente esta versão da Miley Cyrus.

"Jolene! Jolene! Jolene! Joooooleeeene!"
Beijinhos