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sexta-feira, 24 de maio de 2019

Mentes Poderosas - Alexandra Bracken


Título| Mentes Poderosas
Autor| Alexandra Bracken
Editor| Marcador
Páginas| 372

Olá meus anjos!
Hoje trago-vos resenha de um livro que, na verdade, foi uma releitura. Eu li em 2015, numa leitura conjunta de um grupo no goodreads e, como ainda não tinha sido lançado por cá, eu li em ebook em PT-BR (algo que faço muito e não me incomoda). Eu lembrava-me que gostei bastante e, por isso, quando a Marcador Editora o lançou (que foi após a estreia do filme) eu quis voltar a esta distopia maravilhosa que recomendo muito.

O livro é narrado em primeira pessoa pela Ruby, uma menina muito especial. Ela vive num futuro, onde um vírus se espalha e contamina apenas as crianças. Após elas completarem 10 anos, elas têm duas reações: morrem de uma maneira súbita e inexplicável, ou, desenvolvem habilidades psíquicas. Como em tudo que é distopia, o Governo quer acabar com isto, pois sente-se ameaçado por estas crianças e, assim, cria uma espécie de "campos de concentração" que diz ser para que estas mesmas crianças sejam reprogramadas e de novo entregue às suas famílias.

Quando a epidemia eclodiu, Ruby tinha apenas 9 anos e sente-se muito confusa com tudo, pois os mais velhos tendem a esconder tudo o que se passa até ao último minuto. O que acontece na infância da protagonista, é-nos revelado aos poucos. Assim sendo, sabemos que o "campo" para onde ela foi levada é Thurmond, e que ela fez algo com os pais pelo qual se sente muito culpada e, por isso, sente-se um monstro.

As crianças são separadas por cores (verde, azul, amarelo, laranja e vermelho) de acordo com as suas habilidades. Assim quando ingressam nos "campos de reabilitação" elas têm de passar por um teste e têm de ser classificadas. Ruby consegue passar por verde e vive calmamente, ou pelo menos, o mais calmamente que se possa viver num sítio daqueles, até um dia! Dão-lhe a notícia de que ela está prestes a ser descoberta e terá de fugir.

Como sempre, não me quero alongar muito sobre o assunto, por isso vou passar a falar dos personagens que me cativaram imenso. A Ruby é a mais irritante, na minha opinião, embora ela no final tome uma atitude que me fez vê-la com outros olhos e, por isso, acho que no próximo livro ela esteja mais desenvolvida e amadurecida. Tenho é claro de falar do Liam, um fofo, carinhoso e leal rapaz, que é um líder nato mas sem fazer por isso, que se preocupa mais com a segurança dos outros do que com a sua e que será um enorme apoio para a Ruby. Faz também parte do grupo o Chubs, o nerd, sempre preocupado e stressado com tudo o que pode acontecer, mas lá no fundo é um coração de manteiga. Por último, temos a linda da Zu, a mais nova, que não fala, mas transmite tanto ou mais do que os restantes personagens e é uma das minhas favoritas.

Para mim algo muito importante nos livros é a forma como acaba. O livro pode ser muito bom, mas se não tiver um fim intrigante, surpreendente ou que de alguma forma me agrade, então não terei interesse para ler a continuação. Neste caso, o final foi das melhores partes e emocionei-me tanto como da primeira vez em que o li. Preciso da continuação para ontem, que a Marcador Editora já lançou e que eu confesso que nunca pensei que seria assim tão rápidos. Preciso para ontem pode ser?

Falando só um bocadinho sobre a adaptação: vale muito a pena. Adorei a atriz que escolheram para interpretar a Ruby porque tenho um crush naquela mulher. Os pontos importantes estão lá e até digo que podem ver o filme primeiro e só depois ler o livro. Vai ser incrível à mesma!

Já conheciam este livro?

Beijinhos

segunda-feira, 13 de maio de 2019

[Conversas Literárias] - Game of Thrones (S08E05)

Oi meus anjos!
Hoje o post é só para quem viu o último episódio de Game of Thrones, tá? Não só porque tem spoilers, mas porque eu vou desabafar e mencionar as cenas de que não gostei, sem as descrever, ou seja, se não viram, é provável que não entendam ao que me refiro.


Sem grandes delongas, vamos começar pela nossa Rainha dos Dragões. Imensa gente está chateada com o que "fizeram com a personagem". Dizem que não faz sentido ela revelar-se doida e tirana, apenas num único episódio. Então... vem cá meu amor, senta aqui, vamos conversar... Vocês têm visto a mesma série que eu?! A Daenerys sempre foi assim, nós só não ligávamos porque ela queimava gente com a qual nós não nos importávamos. Ela queimou as mulheres viúvas Dothraki, ela foi fazer uma troca pelos Imaculados e, apesar de o outro lá ser um besta e a ter insultado porque achava que ela não entendia a língua, a intenção dela já era roubar o exército e matar os mestres... Ela matou todos aqueles que se recusaram a dobrar o joelho... incluindo a família do Sam. E o pior é que ela avisou, nós é que não prestamos atenção!


Além disso ela foi perdendo pessoas que lhe eram importantes e isso fez ela perder-se. Sempre ouvi dizer que "quando perdemos alguém que amamos, perdemos um pouco de nós". Ela perdeu o marido que aprendeu a amar, perdeu o filho, perdeu um dragão, perdeu o Sir Joran, perdeu outro dragão, perdeu a Missandei... Foi traída pelo Jon (que era suposto guardar segredo), traída pelos seus conselheiros e, na cabeça dela, traída pelo povo que ela lutava para libertar, porque ela começa a entender que se eles tivessem escolha, escolheriam o Jon Snow para rei em detrimento dela. Então não digam que foi de repente, porque os sinais estavam lá. 

Isto não quer dizer que eu, pessoalmente, goste do que aconteceu e naquilo que ela se tornou... Muito pelo contrário! Ela era das minhas personagens favoritas! Para mim era um exemplo de mulher guerreira, basta ver de onde ela veio, como tudo começou, ela a ser vendida como uma égua pelo próprio irmão, que abusava física e psicologicamente dela, e até onde ela conseguiu chegar... Mas pronto! Agora acho seriamente que o Jon a vai matar e assim cumprir a profecia, ou então vai ser a Arya... mas isso já são teorias minhas.

E por falar na Arya... aqui sim cagaram na personalidade da personagem! Nunca na vida ela desistiria de ir matar a Cersei, estando tão próxima e só porque o Cão disse que se ela fosse ela ia morrer. Fodasse! Ela lá queria saber disso... Ela vive obcecada com aquela lista à anos e a Cersei sempre esteve no topo e ela fazia questão de dizer que não lhe bastava que ela fosse morte, ela queria mesmo matá-la... Ela faz aquela viagem toda e depois chega lá e "Pois, se calhar tens razão, sou capaz de morrer e tal. Eu matei o Night King e sempre quis matar a Cersei mas... é, se calhar deixa lá!". What? No No Nooooo!!! Esta não é a Arya que conhecemos e recuso-me a aceitar que de acordo com a personalidade dela, seria uma decisão que ela realmente tivesse tomado. Ela foi lá só sujar a roupa e ainda é salva pelo "uber horse", que apareceu sabe-se lá de onde!


E vamos falar na Cersei claro! A sério que acharam que aquilo seria um final digno da personagem? Ela foi a que mais soube jogar àquilo a que chamamos "Game of Thrones". Ela viu os filhos morrer, ela passou por tanto emocionalmente (#shame), ela achou que tinha perdido o Jaime... para no fim morrer a chorar, com uns tijolos em cima. Primeiro que embora qualquer pessoa entrasse em desespero numa situação daquelas, aquelas lágrimas e desabamento emocional não fazem parte do caráter dela. E realmente, o Cão esteve ao lado dela, e ela passa de fininho como quem não quer a coisa e xau, para depois morrer daquela maneira... Que também não percebi a ideia do Cão a deixar passar... Ok que o foco dele era outro, mas tipo, tens a fucking queen aí a passar do teu lado meu filho! 

Eu esperava que a Daenerys aparecesse na torre onde ela estava e lhe dissesse para ela se render, aí ela diria alguma coisa muito foda e bebia do copo de vinho calmamente, aí a Daenerys faria o que sempre faz:

Enfim! É isto! É claro que teve muito mais cenas marcantes durante este episódio, mas o que eu queria realmente era mostrar a minha indignação com o final que deram às personagens femininas e fortes desta série! Não é mimimi e vai para além do feminismo, porque como eu expliquei acima, vai para além disso, vai com o facto de que as últimas escolhas que fizeram não foram condizentes com a sua personalidade ou então não foram mortes dignas.

E vocês o que acharam? Têm opiniões contrárias às minhas? Vamos debater 😃 Vamos aproveitar e criar teorias para o próximo e último episódio!

Dracarys 🔥
Beijinhos

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Série A Corte - Sarah J. Maas

Decidi escrever este post num dia em que estava inspirada e escrevi um monte de resenhas. A verdade é que esta tornou-se uma das minhas séries favoritas da vida e era inadmissível ainda não ter falado dela aqui no blog. O meu problema, e vocês sabem porque já vos falei disso, é que quanto mais gosto de um livro mais difícil é para mim descrever aquilo que senti durante a leitura. Apesar de ser mais fácil para mim escrever do que falar, nem assim consigo descrever a 100% as minhas emoções e explicar-vos o que o livro me transmitiu. Mas decidi pelo menos falar da história num post com resenha geral! Já antes fiz outros do género, como por exemplo aqui da Academia de Vampiros, e quero lembrar que poderá conter spoilers. Como vou falar de todos os livros, vou falar abertamente, então se ainda não tiveram o prazer de ler esta história, saiam daqui!
A nossa protagonista é a Feyre, uma rapariga que vive para a família. Desde que a mãe morreu, ela caça para alimentar o seu pai e as suas duas irmãs, que na cabeça deles ainda vivem nos luxos de outrora, quando o pai ainda era rico. Neste mundo, temos os humanos e os feéricos e um dia, enquanto caçava, Feyre mata um lobo feérico despertando a ira de Tamlin. Este é um Grão-Feérico que vive em Prythian (terra dos feéricos para lá da muralha), que como punição leve Feyre para o seu reino.

Eu fiquei completamente rendida a todos os personagens! Adorei o Lucien super sarcástico, vivi para o Tamlin e amei odiar a Amarantha. Ganhei ainda um ódiozinho de estimação pelo Rhysand, sendo que não percebia o que ele fazia para humilhar a Feyre. Mas voltando à Amarantha, uma das melhores vilãs de sempre! Ela era realmente maquiavélica, segura de si, direta e mesmo má. Adorei!
No primeiro livro existe uma analogia com o conto de A Bela e o Monstro, mas a autora tinha algo mais pensado que surpreendeu a todos. Em Corte de Espinhos e Rosas nós somos completamente arrebatados pelo Tamlin, achamos ele um cavalheiro, morremos de amores, apoiamos o casal... ainda mais depois daquele final desorientador mas... era um relacionamento abusivo. A Sarah J. Maas fez de propósito para que não notássemos! E ele estava lá, escondido por camadas do aparente carinho, amor e proteção, mas no segundo volume percebemos o quanto o Tamlin é possessivo, dominador e abusivo.

Isto serve para nos mostrar como é difícil para alguém que está na relação por vezes perceber que está num relacionamento abusivo e, por vezes, até para as pessoas que estão de fora, porque acham que é amor, que a pessoa está apenas a ser super protetora. Isto livro é maravilhoso, mas quando percebemos que nos apaixonamos pelo Tamlin e o tipo de pessoa que ele é, sendo que tudo esteve às claras o tempo todo, é um tiro. Esta mulher é foda!
O segundo livro é a melhor coisa que foi deitada a este mundo! É quando são feitas todas as revelações, quando levamos um tapa e percebemos tudo aquilo que já vinha sendo construído no livro anterior. Capítulo 55 💙 quem leu vai entender! Para quem não sabe, Corte de Névoa e Fúria também tem uma analogia, mas desta vez com o conto de Hades e Perséfone. 

Quem não conhece a história, google it e percebam como é maravilhoso e como a Sarah J. Maas é realmente poderosa e incrível! Este livro fez com que toda a gente se apaixonasse pelo Rhysand e eu não poderia ser diferente. Eu vivo para este homem e, para mim, ninguém poderá representá-lo a não ser o meu Ian Somerhalder.
Mas como se não bastasse, eu acho que ganhei um crush em todas as pessoas maravilhosas daquele grupinho. O Cassian é super engraçado, o Azriel é sexy e a Amren e a Mor são simplesmente a encarnação do girl power. Já para não falar de Velarys, que é o sítio mais lindo de sempre! Muita gente compara-a a Veneza e agora eu quero visitar esta cidade ainda mais.

Mais uma vez, eu já nem sei mais o que dizer. Este segundo livro marcou-me de uma forma insdiscritível, sendo que o capítulo 55 foi para mim uma morte e uma salvação. Eu não sabia que precisava daquele capítulo até já não ser a mesma depois dele. Como tudo se encaixa, como a autora nos mostra que tudo teve uma explicação, um sentido... e é tudo lindo!
No que diz respeito ao terceiro livro, serviu para intensificar ainda mais os meus sentimentos em relação a tudo, desde os lugares ao personagens. O meu coração partiu-se quando o Rhysand morre e voltou a juntar-se quando ele regressa (sendo que, confesso, que já tinha essa teoria, mas doeu na mesma). Fiquei chateada pela história não ter sido fechada em condições, principalmente para os casais como o Cassian e a Nesta. Sei que há spin-offs, mas a menos que eles estejam amanhã aqui na minha mesa, então não me é suficiente.

Tenho uma imensa pena que nenhuma editora tenha pego nesta trilogia, e penso que tenha sido um erro tremendo. Não sei até que ponto lhes compensaria lançar agora, visto que já passou imenso tempo e a maioria das pessoas leu em inglês, mas foi uma oportunidade desperdiçada. Espero um dia ir ao Brasil e poder trazer o box maravilhoso, para reler e marcar todas as citações e partes favoritas 💛

Tenho apenas a dizer-vos que se nunca leram, dêem uma oportunidade e se já conhecem a autora sabem o quanto ela escreve bem. Eu até agora ainda não consegui terminar Trono de Vidro, porque estava à espera que lançassem em Portugal, mas mais uma vez, desistiram após dois livros lançados. Mas eu realmente amo esta autora!

Vocês já leram
Beijinhos

quinta-feira, 18 de abril de 2019

Seca - Neal Shusterman e Jarrod Shusterman


Título| Seca
Autor| Neal Shusterman e Jarrod Shusterman
Editor| Saída de Emergência
Páginas| 320

Quando vi este livro em pré-venda a capa chamou-me logo a atenção e quando li a sinopse fiquei super curiosa. A Saída de Emergência enviou-me um exemplar e eu não poderia ficar mais feliz, sendo que comecei a lê-lo no dia em que chegou cá a casa, mesmo tendo outras leituras a meio. E que livro minha gente ❤

Este livro, apesar de ser rotulado de thriller, para mim está mais para um distopia e que, infelizmente, poderá não estar assim tão longe de se tornar realidade. "Seca" acontece numa época em que o mundo, devido a problemas ambientais, atravessa um momento de seca. Várias regras foram implementadas como: não regar os jardins, não lavar os carros, não encher piscinas... mais eis que um dia, na Califórnia, as água é totalmente cortada e acontece aquilo a que se chama "O Fechar da Torneira".

Apesar de ao longo do livro, acompanhar-mos alguns pontos de vista diferentes, a nossa protagonista é a Alyssa Morrow, uma miúda normal, com senso crítico e que eu gostei de primeira. O bairro da Alyssa era super tranquilo, mas após a seca tudo muda, virando quase uma zona de guerra onde vizinhos e famílias lutam por um pouco de água. Um dia os pais dela não voltam e ela tem de tomar decisões difíceis para sobreviver e salvar o seu irmãozinho, Garret.

Inicialmente vi imensas divisões neste livro e não estava a compreender, mas após 10 minutos de leitura consegui perceber e achei por bem dar uma ajudinha e explicar, para quando forem ler já terem uma ideia e não ficarem perdidos e assustados como eu.

Então o livro está primeiramente dividido em seis grandes partes, referentes a momentos importantes da história. Os capítulos são divididos por dias e fazem a contagem desde que a água foi cortada, ou seja, o primeiro capítulo é "Dia Um, Sábado, 4 de Junho", que significa o primeiro dia sem água e a data em que isso aconteceu, e por aí vai. Depois dentro de cada capítulo a história é dividida em pontos de vista narrados em 1ª pessoa, sendo que no início apenas nos são revelados os da Alyssa e do Kelton (mas mais para a frente haverão outros). Por fim, para além disto, temos alguns capítulos extra pelo meio, intitulados de "Instantâneo", narrados em terceira pessoa, que nos conta uma pequena história que nos dá um vislumbre sobre a situação noutra parte qualquer do mundo e sobre outras pessoas, o que acaba sempre por se relacionar ao enredo principal. Este tipo de escrita tornou a narração muito rica e embora possa parecer confuso (e peço desculpa a quem achou a explicação desnecessária) é algo que acrescenta muito há história.

E falando da história, que coisa mais maravilhosa. Achei estranho o livro sem tão fininho e pensei que faltariam explicações, mas acreditem que está perfeito assim. Desde o começo que ficamos presos, porque é tudo bem descrito, sem "palha" e a escrita é simples e direta. É ótimo termos vários pontos de vista, pois passando-se num momento difícil é importante vermos como cada personagem lida com os seus demónios interiores e as suas escolhas.

Eu não quero dar spoilers de nada, mas é difícil não me pôr aqui a escrever sobre tudo. Por conta da situação difícil, a protagonista acaba por se juntar a outros elementos formando um grupo e são todos tão maravilhosos. As situações que eles passam são extremamente difíceis e juro que nos fazem refletir sobre o poder da água. Eu dei por mim a ser muito mais poupada no que diz respeito a este elemento e enquanto lia, por vezes, dava-me imensa sede, como se estivesse com medo que, quem sabe, a água por estes lados também acabasse.

Infelizmente isto não é algo tão descabido de acontecer. Talvez não nos próximos anos, mas nunca se sabe! Já deu para ter algumas ideias de sobrevivência hahaha Mas penso que seja importante ler este livro para dar-mos mais importância à água e percebermos como ela é um bem essencial e que pode sim acabar um dia.

Resta-me dizer-vos que leiam! É bem escrito, as personagens são incríveis, é livro único e não é, de todo, um livro grande. Já para não falar que vai ter adaptação cinematográfica, feita pelos próprios autores ❤ Tem tudo para ser bom!

Prevejo ressaca literária para estes lados!
Beijinhos

Um Trono Negro - Kendare Blake


Título| Um Trono Negro
Autor| Kendare Blake
Editor| Porto Editora
Páginas| 368

Não costumo fazer resenha de continuações; normalmente escrevo a resenha do primeiro e depois uma resenha da série completa; mas achei que este livro merecia e eu precisava escrever sobre ele. 

Para quem não conhece a história, têm aqui resenha do primeiro livro - Três Coroas Negras - e não aconselho a ler este post, pois terá spoilers desse mesmo livro. Na verdade este post quase que não é uma resenha, mas sim um desabafo sobre o livro anterior (agora com spoilers) e uma espécie de conversa com quem continua a acompanhar esta história.

Este livro foi incrível! Nem vou falar muito sobre a sinopse, pois é simplesmente uma continuação do livro anterior. O livro acaba com a revelação incrível de que a Arsinoe é envenenadora e eu fiquei abismada. Milhões de pensamentos surgiram na hora: "Mas será que ela e a Katharine foram trocadas?", "Ou será que ambas são envenenadoras?", "Será possível ter duas rainhas com o mesmo dom na mesma geração?"... Fiquei louca para saber as respostas!

Agora também já posso falar da traição do Joseph para com a Jules e não sei o que pensar... O Joseph mostrava amar verdadeiramente a Jules, mas parece que aquilo que ele tem com a Mirabella é quase que uma ligação de almas... Fico sempre a pensar se não terá alguma coisa a ver com o feitiço inacabado que a Arsinoe fez... E embora a Jules seja talvez a minha personagem favorita e eu a queira feliz com o Joseph, fico também com pena da Mirabella, que se meteu lá no meio mas sem ter culpa alguma e também acabou por ter o coração partido.

E falando da nossa querida Katherine! Posso admitir que ela me deu medo neste livro? Ela veio lá do Abismo das Rainhas e veio super estranha, quase que possuída e nós não fazemos a mínima ideia do que aconteceu lá. E ela faz questão de repetir a frase, "Não se pode matar o que já está morto", mas ela está morta? Ela morreu lá e as rainhas ressuscitaram-na? Ela está possuída pelas rainhas? Este livro deixou-me realmente maluca... juro-vos! Tantas teorias!

Arsinoe acabou por virar a minha rainha favorita! Depois de tudo o que lhe aconteceu ela manteve-se forte, destemida e não ligava às aparências. E gostei muito da relação de amizade que ela construiu com o Billy. Neste livro não exploraram muito o que ela é capaz de fazer como envenenadora, mas tenho o pressentimento que ela é bastante forte e quero ver mais nos próximos livros.

Mais uma vez, sobre este livro eu realmente não posso falar muito sem dar spoiler, mas acreditem que é incrível! Mais uma vez a Porto Editora arrasou com a edição e POR FAVOR não abandonem esta série ok? Por enquanto acho que ainda não há previsão de lançamento para o seguinte, mas eu estou ansiosa.

Preciso dos próximos livros!
Beijinhos

segunda-feira, 15 de abril de 2019

Três Coroas Negras - Kendare Blake


Título| Três Coroas Negras
Autor| Kendare Blake
Editor| Porto Editora
Páginas| 328

Confesso que andei algum tempo a "engonhar" a leitura deste livro, porque tinha algum receio que a editora se arrependesse e não lançasse os seguintes (ainda tenho), mas quando saiu o segundo e vi toda a gente louca na internet, achei que tinha chegado a altura... e não me arrependi!

Três Coroas Negras passa-se na Ilha de Fennbirn onde há anos se rege por uma tradição: quando a rainha dá à luz trigêmeas, uma destas será a próxima a reinar e a rainha perde automaticamente o seu reinado. As rainhas nascem com o único propósito de lutarem entre si até à morte, após completarem 16 anos e apenas uma poderá sobreviver e reinar.

Neste mundo as pessoas possuem poderes especiais e as rainhas têm dons! Katherine é uma envenenadora, capaz de suportar todos os venenos, até os mais mortíferos; Arsinoe é uma naturalista, possui poder sobre as plantas e os animais; e Mirabella é uma elemental, manipuladora dos elementos, principalmente do fogo e das tempestades.

Quando completam 6 anos, as irmãs rainhas são separadas e criadas por famílias da ilha, sendo que cada família é identificada pelo seu dom e irá assim treinar a rainha correspondente. Cada rainha é treinada para que quando alcance os 16 anos, consiga vencer as suas irmãs, no Festival de Beltane, que tem a duração de 1 ano.

Eu achei a premissa muito incrível, porque é lindo, e importante, ver mulheres em posições de poder. Não só a ilha é governada por uma rainha, mas a maioria dos altos cargos é ocupada por mulheres. Claro que também temos personagens homens importantes há história, mas este livro é sem dúvida um centro de girl power.

Durante o livro inteiro eu fui oscilando sobre qual rainha eu gostava mais: a Mirabella mostra sem dúvida ser a mais forte no que diz respeito aos dons, mas pareceu-me um pouco "pãozinho sem sal" e nunca dava voz às suas opiniões; já a Katherine era fraca, mas mostrava alguma ambição, no entanto, pareceu-me sonsa, o que me fez lembrar a Sansa de Game of Thrones; e por fim, temos a Arsinoe, chata, teimosa, por vezes irritante, mas cheia de garra.


A minha personagem favorita foi sem dúvida a Jules. A melhor amiga de Arsinoe e a maior naturalista que se viu nos últimos 60 anos. Neste mundo, os naturalistas têm Familiares, animais que se prendem a eles, e eu achei isso fantástico. Faz lembrar um pouco "A Bússola Dourada", em que cada pessoa nasce ligada a um animal, como se fosse uma espécie de alma, que terá sempre a ver com a personalidade da pessoa. O Familiar da Jules é uma puma e eu só pensava em como eu queria ser , sem dúvida, uma naturalista. Acho que o meu Familiar será um gato ou algum tipo de felino, caso contrário, um lobo ou uma raposa.

O mau desta resenha é que eu não me posso alargar muito para não dar spoiler! Há imensa coisa que eu gostaria de debater com vocês, como uma traição de um personagem para com a Jules, que não sei se considero traição ou não e se é possível perdoar ou não... mas não seria justa com vocês. Vou deixar que descubram esta história por vocês! A verdade é que eu já li o segundo livro também e preparo-me para escrever a resenha dele a seguir, por isso, lá conversamos melhor sobre o que se passa neste livro combinado?

Mas leiam! Vale mesmo a pena! Personagens bem construídas, até mesmo as secundárias, mundo muito bem explicado, girl power... Tudo incrível que nos faz ler e ler, achando que é só mais um capítulo... depois quando percebemos que só faltam algumas páginas queremos terminar rápido, mas ao mesmo tempo não nos queremos despedir da história... Salvou-me ter já a continuação ao lado!

Por fim, vamos só falar da capa linda que a Porto Editora nos deu: com metal localizado e as capas ainda se completam (quero ver como farão com as próximas). Muita gente andou louca atrás da edição especial da Comic Con, em que a capa é branca, mas na minha opinião (que vale o que vale) a preta é muito mais gira e faz todo o sentido. Espero que a editora continue a lançar os livros e não desista da série.

Vocês já conhecem as rainhas?
Beijinhos


quarta-feira, 27 de março de 2019

A Era Do Caos (Parte I) - Ângelo Magalhães


Título| A Era do Caos 
Autor| Ângelo Magalhães
Editor| Chiado Books
Páginas| 584

Hoje trago-vos uma resenha muito especial porque é de um autor português. Quem me conhece sabe que, infelizmente, não dou muita oportunidade aos escritores portugueses, isto porque a maioria se foca em não-ficção, romance e auto-ajuda, que são géneros que embora eu leia, não aprecio assim tanto. Quando fui contactada pelo autor e percebi que se tratava de uma distopia, fiquei logo super curiosa e entusiasmada para ler.

A Era do Caos passa-se em 2030, após a Terceira Guerra Mundial (guerra nuclear) deixar a Terra um autêntico caos. Acompanhámos então a jornada de Ryan em busca do seu pai, pois no dia em que uma bomba atingiu a sua cidade, Dallas, ele descobre que o pai foi raptado e, através de uns ficheiros deixados para trás, percebe que este trabalhava para uma secção secreta do governo. 

Para mim o livro tem muito uma vibe das séries The Walking Dead (apesar de eu nunca ter visto) e The 100 e, na minha opinião, realmente esta história dava muito bem para ser adaptada para a Tv. Aqui não seguimos apenas o "protagonista", mas sim todos os outros personagens. A história é narrada na terceira pessoa e todos os personagens são-nos apresentados com flashbacks que nos levam ao passado ou até pensamentos que nos permitem descobrir mais sobre cada um. 

Para algumas pessoas isto até pode tornar a história massante, mas para mim, que sou extremamente curiosa, foi um "must". Não há nenhuma personagem que eu fique sem saber de onde ela vem ou quais os seus motivos para seguir tal ação. Todos são bens construídos e apegamo-nos até àqueles de quem não é suposto gostar; por isso mesmo eu acho que funcionaria tão bem como uma série.


Há apenas uma coisa que me incomodou na história, que foi o romance. Infelizmente, não fiquei fã nem torci pelo casal, mas quem sabe isso muda na continuação. Com isto, não quer dizer que não goste de ambos os personagens, apenas não torço por eles juntos como um par romântico. 

Falando agora um bocadinho sobre a edição: já se sabe que, infelizmente, a editora Chiado não faz revisão aos livros e, por isso, alguns erros gramaticais e ortográficos e até algumas falta de coerência em algumas partes, tornaram inicialmente a leitura um pouco mais lenta. O formato físico dos livros também não é muito confortável, pois apesar de não chegarem a ser edições de bolso, os livros são mais pequenos do que o normal, o que torna mais desconfortável a ler, principalmente em livros como este, que tem mais de 500 páginas. 

Algo que também torna a leitura mais lenta é o facto de os capítulos serem exageradamente compridos. A maioria tem mais de 30 páginas e isso levava a que eu ficasse frustrada e acabando um capítulo pousava o livro durante bastante tempo. Penso que se fossem bem mais curtos, o engajamento seria maior. Mas é um livro que recomendo a quem gosta de distopias e, principalmente, das séries que mencionei. Fiquei ansiosa pela continuação, para a qual ainda não há previsão de lançamento. Dêem uma oportunidade!

Se já leram, venham conversar 😉
Beijinhos

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O Ódio que Semeias - Angie Thomas


Título| O Ódio que Semeias
Autor| Angie Thomas
Editor| Editorial Presença
Páginas| 352

Já tinha ouvido falar tanto neste livro, que decidi que deste ano não passava e decidi inseri-lo na lista dos 12 livros que eu precisava ler sem falta em 2019. Decidi lê-lo este mês e não poderia estar mais feliz, porque ele superou todas as minhas expectativas. Se estão à procura de um livro juvenil leve, com certeza este não é o livro indicado!
«Tupac disse que Thug Life, “vida bandida”, queria dizer “The Hate U Give Little Infants Fucks Everybody”, ou “o ódio que você passa pra criancinhas fode com todo o mundo”.»

Starr Carter é a nossa protagonista. Desde muito nova, aprendeu com os pais, como uma pessoa negra se deve comportar em frente à polícia: "seja obediente", "não faça movimentos bruscos", "deixe as mãos visíveis", "só fale se te perguntarem algo"... Mas nada a preparava para o que ia acontecer. Na volta de uma festa que não deu muito certo, Starr e o seu amigo Khalil são parados e o que ela espera é que ele também saiba as regras. Um movimento errado, uma suposição, tiros são disparados e Khalil é morto. Ela é a única testemunha e precisa decidir se está na hora de usar a sua voz, para lutar por justiça e fazer o que é certo.

É um livro com uma história pesada, que nos abre os olhos sobre muitos assuntos. Aqui são retratados os vários bairros onde a venda de drogas é algo natural, assim como a separação dos territórios e os seus chefes (King Lords). Percebemos o quanto o racismo ainda é um assunto atual (infelizmente), que se vai vendo nas pequenas coisas; coisas que por vezes nos parecem inofensivas. Mas será que se em vez de uma pessoa negra, se tratasse de um branco, as decisões seriam as mesmas?

É nisto que este livro nos faz pensar: o quanto a cor, a posição social ou até o bairro onde moramos, pode determinar ou não quem somos. E devemos calar-nos perante as injustiças? Devemos apenas aceitar que alguém seja tratado de forma inferior só tendo em conta a cor da sua pele? Starr decidi que não! Que chegou a altura de falar, de lutar e de fazer as pessoas entenderem. Temos aqui uma protagonista extremamente humana, com os seus medos e defeitos, mas uma guerreira e, acima de tudo, uma menina muito genuína e incrível.

Sobre o livro não quero falar muito mais, para não vos estragar a surpresa. Leiam, reflitam, aprendam... O racismo não é algo do passado! Está presente em pleno século XXI e é preciso lutarmos, para que um dia a cor, a raça, a nacionalidade, a etnia, a religião... não sejam assuntos relevantes entre nós.

Livro x Filme

Antes de mais tenho a dizer que eu amo a Amanda Stenberg, a actriz escolhida para protagonizar Starr e, portanto, já previa um filme incrível, mas não sabia que seria tão perfeito assim. Adorei a escolha de todos os actores escolhidos, sendo que foi uma grande surpresa ver KJ Apa (Archie, em Riverdale) como Chris, porque tinha um certo ódio de estimação por este menino, mas adorei o seu trabalho. É também de salientar os papéis de Regina Hall (Lisa Carter, mãe de Starr) e Russel Hornsby (Maverick Carter, pai de Starr). 

Logo no início percebi que a adaptação estava a ser muito fiel ao livro, mas depois tudo mudou. Vão sentir falta de algumas cenas e, até de alguns personagens (Tchau DeVante), mas todas as mudanças feitas fizeram todo o sentido, incluindo aquelas que foram acrescentadas. Se o livro é emocionante, o filme é devastador! Eu senti-me completamente destruída, sendo que já estava a chorar desde os primeiros 15 minutos. Pelo menos de meia em meia hora, tem algo que nos faz encher os olhos de lágrimas e em muitas das cenas foi mesmo preciso um lencinho e até um copo de água. É real, é duro, é cru...

Como eu disse, a Amanda é incrível e voltou a dar provas disso. As emoções que ela transmite são palpáveis. Existe uma cena (não é propriamente um spoiler, podem ler à vontade), em que ela está irritada e começa a esmurrar o tablier do carro e eu juro-vos que é possível sentir o ódio, a raiva e a sensação de impotência que ela sente. Sem dar spoiler, tenho a dizer-vos que as minhas cenas favoritas não aparecem no livro, sendo uma quando a Starr se irrita (não vou falar mais) e o final que é diferente. As mudanças que fizeram em algumas das minhas cenas favoritas também me surpreenderam... Acho que fizeram um trabalho incrível!

Agora trazendo uma péssima notícia: parece que o filme não vai estrear nos cinemas em Portugal. O motivo eu não sei, mas o filme já saiu em tudo quanto é sítio, mas aqui não há notícia, não há publicidade, não há cartaz... Sendo que eu tinha ouvido que ia sair em Fevereiro, mas agora não vejo nada que comprove isso! Se souberem de alguma coisa informem-me por favor!
"Thug Life"
Beijinhos

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Razões para Viver - Matt Haig


Título| Razões para Viver
Autor| Matt Haig
Editor| Porto Editora
Páginas| 264

"Quando se está deprimido, sentimos que estamos sozinhos e que mais ninguém está a passar exatamente por aquilo que nos está a acontecer. Temos tanto medo de que os outros nos achem loucos que acabamos por interiorizar tudo. Temos tanto medo de que as pessoas nos ostracizem ainda mais, que acabamos por nos fechar numa concha. E não falamos sobre o que se passa connosco, o que é uma pena, pois ajuda se falarmos sobre o assunto."


"A depressão é uma doença tão grave que as pessoas estão a matar-se por causa dela, de uma forma sem paralelo a qualquer outra doença. E mesmo assim, as pessoas continuam a achar que a depressão não é assim tão má."

Matt Haig, 43 anos, autor, gente como a gente, viu o seu mundo desabar aos 24 anos, quando soube pela primeira vez o que era a depressão. Durante muito tempo decidiu não falar sobre isso, mas depois percebeu o quanto era importante que o fizesse, para ajudar outras pessoas e, assim, nasceu "Razões para Viver". Este livro é um misto de auto-ajuda, desenvolvimento pessoal e biografia mas, se usualmente não lêem livros destes géneros, acreditem que vale a pena abrir uma exceção.

No instagram, prometi que quando escrevesse a resenha deste livro que abriria o meu coração para vocês e aqui vai ❤ Olá, sou a Jéssica, estudei psicologia (ainda não sou psicóloga porque não terminei o curso) e sofro de ansiedade, pânico, depressão e fobia social. Isto é para vocês perceberem que doença/perturbação mental não é um bicho de sete cabeças e não é tão raro como algumas pessoas pensam. Afeta homens e mulheres, velhos e novos, ricos e pobres, escritores e até psicólogos... Não é algo de que se deve ter vergonha e deve sempre procurar-se ajuda. É preciso desmistificar aquilo a que se chama a doença mental e não achar que quem sofre disso é porque é louco!

O autor não nos traz apenas mais um livro como os outros, onde nos fala de todos os sintomas e lista do que fazer... Ele conta-nos a sua história, fala o que sentiu e, assim, traz para a luz, um dos grandes problemas do séc.XXI, mas de que as pessoas não falam, porque se envergonham. Ao longo do livro relata-nos vários dos episódios de surto, os pensamentos que lhe assolavam a mente (até os mais negros), lista o que o ajudou e ainda nos dá alguns factos e curiosidades. 

Não é um livro, de todo, cansativo! Nós achamos que estamos numa sala, sentados num confortável sofá, quem sabe a beber uma boa chávena de café ou chá e a conversar com Matt Haig, um velho amigo. Não há tabus, não há "paninhos quentes", não há vergonhas e, acima de tudo, não há mentiras.

Sempre convivi de perto com a depressão! Antes de eu mesma a experienciar, já a minha mãe sofria desse mal e desde pequena que tive de aprender a lidar com vários surtos. É difícil compreender quando não é connosco e acho que só a percebi realmente quando o vivi na pele. Gostaria de ter tido oportunidade de ler este livro nessa altura e, por isso, o aconselho tanto. Acho que o grande problema é que não se fala sobre isso e propagam-se ideias erradas. Lembro-me de ser pequena e alguns dos insultos que as crianças achavam piada usar na minha idade era algo do tipo "És maluco, vai internar-te no manicómio!", "Tu moras é no Magalhães Lemos "... Eu morria de vergonha, sendo que, infelizmente, podia-se dizer que o Magalhães Lemos era um amigo chegado, pelas vezes que já lá tinha ido visitar a minha mãe.

Mas as crianças dizem isso porquê? Porque aprendem isso. Porque vêm isso nos filmes. É preciso ensinar as crianças desde pequenas que a saúde mental é tão importante quanto a do corpo e que é bom fazer terapia, mesmo quando achamos que está tudo bem. É preciso ler sobre isso, informar-se... E acima de tudo, se vocês passam por isso, falem sobre isso, sem vergonha, expliquem, ajudem as pessoas a compreender, em vez de criarem um tabu à volta do assunto.

Quero dar um abraço a todas as pessoas que estão a ler isto e têm algum desses problemas ❤ Afastem-se de pessoas e coisas tóxicas e façam o que vos faz bem, mesmo que sejam pequenas coisas. Vejam um pôr-do-sol, ouçam música, escrevam, leiam um livro...

Espero que tenham gostado da resenha, embora não tenha falado assim tanto do livro, mas espero vos ter passado a mensagem de que realmente precisam de o ler 😂 É um livro fantástico e adorei a escrita do autor. Vocês gostavam de um post só com as citações que eu marquei? Foram várias! Digam-me nos comentários...

"Quais são as tuas razões para viver?"
Beijinhos

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Dumplin' - Julie Murphy


Título| Dumplin'
Autor| Julie Murphy

Antes de começar-mos com a resenha quero que percebam uma coisa muito importante: gorda não é um insulto. Gorda é uma palavra como outra qualquer, que se torna um insulto pelas pessoas que o usam ou aceitam como tal. Não há cá gordinha, fofinha ou fortezinha... é gorda. E está tudo bem!

Willowdean Dickson é a nossa protagonista de 16 anos, a quem a sua mãe (ex-miss) chama Dumplin, que seria algo como "bolinho frito". Gorda e com a auto-estima lá em cima, nunca sentiu problemas com o seu corpo ou com a sua vida. Trabalha num restaurante chamado Harpy's Burgers & Dog, com aquele que é o seu crush, o Bo. A sua melhor amiga é a Ellen, com que partilha o amor pela cantora Dolly Parton. A mãe da Dumplin dirige o concurso Miss Jovem Flor do Texas, no qual ela nunca pensou em participar... até agora!

Ela começa a sentir-se insegura com o seu corpo quando Bo mostra que o sentimento é recíproco. A partir de então, surgem sentimentos conflituosos e divergentes na mente de Dumplin. Afinal ela sempre foi alguém que defendeu que cada qual é como é, mas cada vez que Bo lhe toca, ela sente-se receosa e envergonhada. Ela acaba por decididir participar no concurso de miss, afinal não existe nenhuma cláusula que diz que ela não o possa fazer e, várias meninas que também se sentiam de alguma forma inseguras com a sua imagem, acabam por ganhar coragem para participar também.

"Há algo no biquíni que faz com que as mulheres achem que precisam conquistar o direito de usá-lo. E isso é um absurdo. Na verdade, o critério é muito simples: você tem um corpo não tem? Então veste um e manda ver!"

Eu acabei por adorar a Willowdean do fundo do meu coração. Ela sabia que era gorda e não via um problema nisso mas, independentemente de sermos gordos ou magros, todos nós passamos por uma fase de insegurança com o nosso corpo e nunca estamos satisfeitos a 100% com aquilo que deus nos deu. No entanto, em nenhum momento do livro existe aquela típica mudança de imagem para que os outros gostem dela. Ela entende que é algo que precisa aceitar e de se sentir bem consigo mesma.

Este livro foi além das minhas expectativas. Para além de falar de gordofobia, fala sobre outros tipos de bullying. Gostei de ambos os meninos aqui no livro (não posso dar spoilers) e confesso que em muitas cenas fiquei indecisa no meio deste triângulo amoroso. Também fala sobre a amizade e sobre um ponto em específico que eu já tive que ultrapassar: as mudanças e crescimento pessoal, as diferenças e o afastamento. No meio disto tudo, também existe tempo para falar de aceitação por parte dos pais, do medo de falhar, do poder da superioridade e ... drag queens 😂

Livro x Filme
Agora vamos falar sobre a adaptação, que foi o que primeiramente me fez querer ler este livro. Agora que tomei conhecimento de ambos, posso fazer uma breve comparação e dizer-vos o que achei. No filme temos Danielle Macdonald, como Dumplin e Jennifer Aniston como sua mãe.

Confesso que inicialmente torci um bocado o nariz para a Danielle Macdonald, mas acabei por gostar da representação dela. Já a Jennifer Aniston foi incrível tal como eu esperava. Mas quem merece os meus parabéns é a Maddie Baillio, que fez com que a Millie se tornasse a minha personagem favorita no filme.

É bom salientar que existem bastantes diferenças entre o livro e a sua adaptação, que pode agradar a uns e desiludir a outros. Eu acho que me encontro no meio, porque ainda estou a absorver as minhas emoções 😂 Posso já adiantar que quem se queixou do romance no livro, vai adorar o filme, visto que se focaram completamente no concurso e nem sequer existe um triângulo amoroso #chateada

Eu, particularmente, gostava de ter visto mais do romance. Muita coisa acontece no livro, enquanto que no filme temos um pouquinho de história no início e depois só voltamos a isso no final. A desavença entre a Dumplin' e a Ellen também perdeu relevância, sendo tratada de uma forma mais leviana, o que eu não gostei. Para mim foi um dos assuntos importantes do livro, pois é algo muito real e que talvez ajudasse algumas meninas que sentem que se estão a afastar das melhores amigas e não compreendem. Todos já passamos por isso! Também cortaram um dos meus momentos favoritos: a conversa entre a Dumplin´e a Hannah, na festa do pijama em casa da Millie.

Mas nem todas as mudanças são más! Como eu já disse, adorei a Millie e acho que lhe deram mais destaque, sendo que ela representa duas personagens do livro, mas acho que foi melhor assim. A mãe da Dumplin' também estava muito melhor! No livro, ela nunca chega realmente a mostrar as suas emoções, sendo muito fria e "abonecada", já no filme, a maioria das cenas que me fizeram chorar, foi as que ela protagonizou.

Por fim, adorei as drag queens! Para quem não sabe eu sou muito fã de Ru Paul's Drag Race e aparece uma ex-concorrente que eu gostava (não vou dizer qual hahaha vão ter que ver o filme ou pesquisar). Achei tudo lindo e das cenas mais amorosas são com elas, assim como as mais divertidas.

Conclusão final: acho que o livro ganha, mas por pouco, mas acho que o filme vale a pena. Leiam o livro primeiro, mas não deixem de ver a adaptação. E agora apetece-me ouvir as músicas da Dolly Parton, principalmente esta versão da Miley Cyrus.

"Jolene! Jolene! Jolene! Joooooleeeene!"
Beijinhos