7# - Você já pensou em escrever um livro?
Por acaso já e... já escrevi! Quer dizer, mais ao menos. Escrevi os primeiros 3 capítulos e ... depois de pensar muito decide deixar aqui para quem tiver a paciência para ler. Não sei se irei continuar porque não espero que dê em nada mas se alguém quiser acabar em conjunto comigo podemos tratar disso :) É suposto ser uma espécie de infanto-juvenil! Vamos lá então e quem ler que me deixe a sua opinião.
Capítulo Um
Os dois sonhos
Sinto-me com muito
sono, confusa e irritada! Com sono porque não dormi nada pois quando eu sonho
esperneio, falo, rio, choro e isso deixa-me muito cansada, confusa porque já é
a segunda vez que sonho com aquela rapariga que nunca vi em lado nenhum e
irritada porque tenho umas olheiras do tamanho do mundo e hoje é o meu primeiro
dia de aulas, por sinal, numa escola nova.
Pois, é isso mesmo!
Uma escola nova. Os meus pais separaram-se há mais de um ano mas o meu pai
sempre teve esperança que voltassem até ao mês passado em que a minha mãe
arranjou um namorado, o Sérgio, e o meu pai, com quem eu vivo, não conseguiu
aguentar o desgosto e decidiu-se a mudar de cidade.
Para mim não foi um
grande choque, aliás eu estava mortinha por sair daquele sítio, e vocês também
estariam se a apenas dois meses atrás, no dia do vosso aniversário descobrissem
o vosso namorado enrolado com a vossa melhor amiga.
O meu pai
inscreveu-me na Escola da Maria Odete, uma escola construída em 1872 por
mulheres, que até ao final do século XIX apenas aceitava raparigas como alunas
e mulheres como professoras. Ainda bem que mudou. Já viram como seria andar
numa escola só para raparigas depois do desgosto amoroso que recebi? Do que eu
preciso mesmo é de um bife novo para esquecer o Marcos, o meu estúpido
ex-namorado.
Mas com esta cara
de morta vai ser difícil alguém reparar em mim, pela positiva! E não consigo
perceber porque é a segunda vez que sonho com aquela rapariga. Eu nunca a vi
antes. Como é possível que tenha inventado todas as características dela do
nada? Normalmente nos meus sonhos, todas as pessoas, tirando aquelas que eu
conheço pessoalmente, não têm os traços bem definidos e depois de acordar não
me consigo lembrar delas, mas desta vez foi diferente.
A primeira vez que
ela me apareceu, no sonho eu estava num banco de jardim num parque lindíssimo
que também nunca vi antes, a ler um dos livros da saga Um Romance da Casa da
Noite. Estava tudo muito silencioso, apenas se ouviam alguns pássaros a
chilrear uns para os outros lá bem no alto das árvores, até que de repente ouvi
alguém a cantarolar e olhei. Foi aí que a vi! Tinha o cabelo castanho aos
caracóis, que lhe davam mais ao menos pelos ombros, presos numa bandolete. Os
olhos dela eram castanhos-chocolate e tinha a pele bastante morena também. Magra
e baixinha e tinha um sorriso contagiante que fazia com que duas covinhas lhe
aparecessem nas bochechas dando-lhe um ar de menina travessa. Se a tivesse
visto noutro local não teria olhado para ela duas vezes, porque não é daquelas
raparigas que cative à primeira, mas o que me chamou a atenção foi que ela
trazia o vestido às flores da Channel que eu há tanto tempo cobiçava. Tinha-o
visto na loja online, mas quando fui para comprar estava esgotado e disseram-me
que não o fabricavam mais. Nesse momento deu-me um ataque de inveja e decidi
continuar a ler o meu livro.
Ela sentou-se ao
meu lado e eu ignorei-a. Ela devia estar à espera de alguém. Mas ela continuou
a olhar-me fixamente e então eu parei de ler.
- Precisas de
alguma coisa?
- Não!
- E estás a olhar
para mim assim porquê? - aquela rapariga já me estava a conseguir irritar e eu
nem sequer a conhecia.
- Fico feliz por te
ter encontrado finalmente! – e fez o maior sorriso que eu já vi no mundo.
- O quê? – esta
rapariga deixava-me completamente confusa. - Mas já nos conhecemos?
- Ainda não! –
disse ela fazendo um sorriso travesso. – Mas vamos! Em breve!
Levantou-se e
foi-se embora aos saltinhos e a cantarolar deixando-me ali especada com olhar
de parva. E então acordei!
Passei duas semanas
a revolver aquele sonho, pensando se já a teria visto noutro lugar, até que
acabei por esquecer, até hoje.
Desta vez, estava
eu na papelaria D. Albertina a comprar a minha mochila. Tinha-a visto dois dias
antes e então voltei lá para comprá-la. Era linda, azul com estrelinhas
prateadas e trazia um pendente de luas e estrelas no fecho.
- Não compres essa
mochila! – ela provocou-me um susto de morte
- Mas tu apareces
sempre assim de repente? – tinha o coração aos pulos. – E dizes às pessoas que
não conheces o que devem e o que não devem comprar?
- Apenas te estava
a dar um conselho! Soube que gostas de ser original e de ter algo que mais
ninguém tem. Mas eu já comprei essa mochila na semana passada.
- Como sabes tu
tanto sobre mim? – perguntei indignada
- Talvez um dia
venhas a descobrir! – e brindou-me outra vez com uma daqueles seus sorrisos
enormes.
Foi aí que acordei
e o resto vocês já sabem! Quanto à mochila temos imensa pena mas eu já a tinha
comprado. Mas o quê que eu estou para aqui a dizer? É impossível que a rapariga
do sonho exista mesmo. E se ela não existe então é claro que não tem uma mochila
igual à minha!
Vou mas é
preparar-me que ainda tenho um longo dia pela frente!
Capítulo Dois
Primeiro dia de aulas
Tomei um bom banho.
Esfreguei duas vezes o meu cabelo com champoô para que ele ficasse com brilho.
Ele é castanho claro, e dá-me pelo meio das costas. É uma das coisas de que
mais me orgulho para além dos meus olhos verdes.
Abri o guarda-fatos
e fiquei especada a olhar. Não tinha nada para vestir! Não me interpretem mal,
eu tenho imensa roupa, porque a minha mãe sente-se culpada e todos os meses
envia-me um cheque para eu gastar em tudo o que eu quiser. É o poder de ter uma
mãe que é chefe numa empresa de marketing. Tenho tudo e mais alguma coisa, e
acho que o problema é esse. O meu pai diz que se eu não tivesse tanto por onde
escolher seria mais fácil e eu começo a acreditar que ele tem toda a razão.
Lá acabei por
decidir-me por umas skins jeans deslavadas, a minha blusa branca-floral
favorita e umas sandálias de cunha branca compradas no início deste mês que
ainda não tinha utilizado.
Coloquei corretor
para tapar as olheiras, um pouco de blush para um ar saudável, rímel e um
pouquinho de gloss. Já em relação ao cabelo não havia muito a fazer. Sim eu
adoro-o por ser castanho e ter alguns reflexos dourados, comprido e brilhante
mas ele nem é liso nem ondulado. É simplesmente estranho! E na maioria das
vezes eu não sei o que fazer com ele. Prendi-o num rabo-de-cavalo estilo menina
da claque, peguei na minha mochila e desci as escadas a dois e dois.
Já estava atrasada
para apanhar o autocarro! Sim, eu apanho autocarro porque prefiro que ninguém
saiba que eu tenho uma mãe rica para não me tratarem de maneira diferente. Os
únicos que sabiam na minha antiga escola eram a minha suposta-melhor-amiga e o
meu ex-estúpido-namorado.
O meu pai já tinha
saído para o seu novo trabalho. Conseguiu que a antiga empresa onde ele
trabalhava o transferisse para a empresa de cá. Sem ninguém a quem desejar bom
dia, peguei no saco de papel com o meu almoço e corri para a estação, algo
difícil de se fazer quando se tem sandálias de cunha.
Com tanta correria
acabei por chegar ainda com 5 minutos de avanço do autocarro. A paragem estava
vazia excetuando um rapaz que se encontrava no banco amarrado aos joelhos a
ouvir música nos headphones aos altos berros. Não pude deixar de reparar que
até era bastante giro. Tinha cabelo loiro cortado rente, olhos
castanhos-esverdeados e tinha um brinco na orelha do lado esquerdo. Tinha
aquele ar de bad-boy que eu tanto gosto, mas já constatamos que isso dá para o
torto, não é querido ex-estúpido-namorado? Mas enfim!
Chegou finalmente o
autocarro! Fuji para o mais fundo possível. Depois de ouvirem um pouco da minha
história até podiam pensar que eu era a típica rapariga rica e popular, mas
nada disso. Sou uma rapariga como outra qualquer às vezes até um bocado nerd.
Adoro ler e sou bastante tímida por vezes.
Demoramos apenas 10
minutos a chegar à escola. Foi a primeira vez que a vi! Era toda de mármore e
pedra, com altas janelas e algumas torres. Fazia lembrar um pouco um castelo
dos contos de fadas misturado com a escola de Hogwarts.
Entrei pelos
grandes portões e dirigi-me à porta que dizia secretariado. Deveria ter vindo
ontem ver qual era a minha turma e buscar o meu horário mas o meu pai não me
pode trazer e ainda não havia autocarros.
A senhora que me
atendeu parecia ter por volta dos 50 anos. Tinha cabelo castanho grosso que lhe
dava pelos ombros e uns olhos pequeninos que me espreitavam através dos óculos.
Parecia ser bastante simpática.
- Olá minha
querida. Que precisas? – afinal era mesmo muito simpática
- Olá! – brindeia-a
com um sorriso. – Sou a Lara Torres. Ontem não pude vir cá ver qual era a minha
turma nem o meu horário. Será que me podia dar essas informações?
- Claro! Espera só
um bocadinho. – enquanto dizia isto já remexia num monte de capas. Finalmente
encontrou o que procurava. – Aqui tens!
- Muito obrigada!
Era da turma do
11ºD e tinha Biologia agora no primeiro tempo, na sala 16. Quando cheguei já
todos estavam lá dentro.
- Humm…Desculpe o
atraso. Posso entrar!
Todos puseram os
olhos em mim e eu preferi concentrar a minha atenção na mulher que se
encontrava à secretária. Ficava bastante nervosa por ser o centro das atenções.
- Claro que podes!
Deves ser a Lara Torres. Nós já fizemos a chamada mas por ser o primeiro dia
não te marquei falta! – ela parecia ter saído agora mesmo da universidade.
Tinha cabelo loiro escuro e olhos azuis cobertos pelas maiores pestanas que eu
já vi. – Ainda há dois lugares vagos. Hoje como é o primeiro dia podem
sentar-se onde quiserem. Na próxima aula eu direi os lugares definitivos.
A sério que ainda
se faz isso? Mas nós somos o quê? Crianças da primária? Mas com certeza não
valia a pena perder tempo com isso por isso comecei a procurar os lugares
vazios. O primeiro era logo na primeira fila ao lado de uma rapariga de cabelo
preto muito encaracolado que mais parecia um ninho de ratos. Tinha os olhos
muito vermelhos, talvez prestes a ganhar uma conjuntivite e não parava de
tossir e limpar-se à manga da camisola. Arg! Próximo!
O segundo lugar
vago era… Ao lado do bad-boy da paragem. Lá teria de ser! Sentei-me ao lado
dele e sorri-lhe. Dirigiu-me um aceno de cabeça e foi então que alguém entrou
de rompante na sala. Não podia ser!
Capítulo Três
Ela existe mesmo
- Desculpe! É aqui
a sala do 11ºD? – ela estava com as faces bastante vermelhas como se tivesse
vindo a correr
- É sim! Ia agora
mesmo apresentar-me. Tens ali um lugar vago! – disse a professora enquanto
apontava para o lugar ao lado de miúda-cabelo-ninho-de-ratos.
Ela assentiu e foi
lá sentar-se, mas antes piscou-me o olho. Mas… Como é que ela me conhece?
Melhor, como é que eu sem a ter visto antes falei com ela nos meus sonhos.
Sinto-me cada vez mais agoniada e confusa e a minha cabeça já começou a andar à
roda.
- Silêncio meninos.
Vou então apresentar-me e depois cada um terá também a sua oportunidade. Eu sou
a menina Sofia, sou professora de Biologia e também vossa diretora de turma.
Agora vão todos dizer o vosso nome, idade e caso seja o vosso primeiro ano
podem contar um pouco da vossa história. Podes começar tu! – apontou para a
rapariga do sonho.
- Sou a Melissa,
tenho 17 anos e fui transferida para esta escola porque me mudei para cá a
semana passada. – disse tudo isto num só fôlego e sem perder aquele sorriso que
para grande constrangimento meu, já me era familiar.
Como ainda faltava
muito para chegar a mim, comecei a tentar organizar os meus pensamentos e abri
uma pequena pasta no meu cérebro para guardar todas as informações que tinha
conseguido até agora. Ela chama-se Carolina, tem 17 anos e mudou-se para cá à
pouco tempo, tal como eu. Ah… também dava a entender que já me conhecia. E…
- Lara! Lara! – a
menina Sofia chamava-me já com um tom irritado. – Queres fazer o favor de te
apresentares aos teus colegas?
- Peço imensa
desculpa! – por favor que eu não esteja vermelha como um tomate. – Chamo-me
Lara, tenho 16 anos e mudei-me para cá o mês passado.- Ufa, já passou!
Ouviu-se o soar da
campainha de saída e de repente já todos estavam de pé e a sair da sala. Eu fui
a última. Arrumei todos os meus lápis e canetas de cor por ordem do arco-íris
no meu porta-lápis. Tenho o vício de fazer isto quando estou nervosa. Ao sair
da sala ia tão distraída que só reparei nela quando já quase lhe caía em cima.
- Olá – gritou ela
sorridente. – Sou a Melissa e penso que vivemos na mesma rua. Estendeu a mão
para que eu lhe apertasse, mas eu apenas fiquei ali a olhar. Não sabia bem o
que fazer.
- Pronto, deixa lá!
Talvez mais tarde nos possamos conhecer melhor. – piscou-me o olho e
afastou-se.
E foi aí que eu
reparei. A mochila dela, linda, azul com estrelinhas prateadas e com um
pendente de luas e estrelas. O quê? Ela falou mesmo a verdade no sonho! Mas
como é possível?!