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domingo, 22 de novembro de 2020

Promessas de Sonhos - Várias Autoras



Título| Promessas de Sonhos
Autoras| Jéssicas Reis, Gabriela Simões, Tânia Dias, Filipa Santos
Editor| Tânia Dias (edição independente)
Páginas| 366

Hoje trago-vos uma resenha muito especial, pois é um livro de contos escrito por quatro autoras portuguesas. A ideia para este livro foi, sem dúvida, genial pois, para além de  cada uma das meninas dar a ideia, tema ou frase para a outra escrever, cada uma das autoras também tinha que se inspirar num elemento (ar, água, fogo e terra). Isto é que foi trabalhar a imaginação!

Visto que se tratam de contos, mais ao menos curtos, não tem muito que eu possa dizer sobre eles sem dar spoiler, então a minha resenha vai focar-se na minha opinião e naquilo que eu senti ao ler cada um deles. Espero que estejam prontos, pois aqui começa uma viagem pela fantasia simplesmente incrível.


Conto: Asas Negras
Autora: Jéssica Reis
Elemento: Ar
Ideia: "Piratas mágicos que raptam nobreza"

Foi-me um bocadinho difícil entrar na história, porque só na primeira página temos nomes e conceitos que nos são estranhos (ou pelo menos para mim), mas a partir do momento que entendi minimamente as coisas, só queria mais e mais. Aqui temos as harpias, mulheres com asas (visualmente, à semelhança de anjos), temos piratas e temos humanos. Korinne (Kore) é a nossa personagem principal, que luta para descobrir a verdade sobre as origens da sua espécie. A ideia é super gira e a Jéssica soube trabalhá-la, mas penso que se tivesse mais espaço (um livro inteiro, maybe) a história seria ainda melhor, porque há muito para explorar neste mundo. Nesse sentido, penso que também melhorariam os plot twists, visto que aqui, pelo menos a mim, acabaram por não surpreender muito, porque a autora não tinha espaço para explorar e deixar as 'sementinhas' para o momento seguinte. Gostava muito que a autora tivesse oportunidade de explorar mais esta história e este mundo.

Conto: Chamas de Ruína
Autora: Tânia Dias
Elemento: Fogo
Ideia: "Ela olhou para trás com um sorriso desafiante nos lábios e cabelos esvoaçantes. - Observa. E depois saltou."

Já li este conto há algum tempo e ainda não estou bem! Eu amo dragões e estava ansiosa para este conto... mas superou todas as minhas expectativas. Aliyah é a nossa protagonista e é tão mas tão bem construída, com tantas camadas, que é impossível não acreditar que ela exista mesmo. É uma personagem badass à sua maneira, mas também com falhas, o que a torna bastante humana. É importante salientar que o conto contém gatilho de violação e abuso... mas a Tânia conseguiu abordar o tema com a seriedade merecida, ao mesmo tempo que o aborda de uma forma única, inserida neste mundo místico. Acontece que ainda hoje em dia, continuam a culpar a vítima pelo sucedido e este conto explora muito bem essa temática. Não há maneira de falar mais sem dar spoiler, mas eu preciso de mais! Espero que a autora tenha a possibilidade (e queira) trazer-nos mais desta história, porque eu preciso de respostas para o depois...

Conto: Olhos de Água
Autora: Filipa Santos
Elemento: Água
Ideia: "- Porque é que partiste?. Ela fitou-a de olhos pesados, não só de lágrimas, mas conhecimento. - Se não o fizesse tinhas morrido."

O meu coração ainda está partido em mil bocadinhos. Uma história de amor linda e sofrida, real, crua, triste e bela, mesmo assim. Um casal que passei a amar e a defender com todas as minhas forças e que me despedaçou. É uma história que nos mostra a crueldade dos deuses e o quanto estamos dispostos a fazer por amor. A narrativa vai alternando entre presente e passado e é impossível não nos sentirmos angustiados e até presos, mas também é uma história que nos aquece o coração e nos faz sonhar. Não tenho palavras nem para esclarecer o que este conto me fez sentir! Filipa, obrigada por me destruíres o coração... mas como foi com jeitinho eu perdoo.

Conto: O Modelador
Autora: Gabriela Simões
Elemento: Terra
Ideia: "Ela acordou com o sentimento de pânico. Tinha acontecido novamente: a faca sangrenta estava ao lado dela."

Vocês não estão preparados para este conto... porque eu definitivamente não estava! A Gabby apresenta-nos um dark fantasy super bem construído. Aqui temos os modeladores: uns modelam madeira, outros metal, etc... e temos os que modelam a carne, que são raros, pois esse tipo de modelação é proibída. Conhecemos o "Criador de Rostos" famoso pelo seu trabalho de forma clandestina e a sua assistente Imogene. Não vos posso contar mais, mas este conto é cheio de plot twists incríveis ... e aquele final... Se descobrirem aquele final antes do tempo, dou-vos os meus parabéns.

E são estes os contos, todos eles maravilhosos e há para todos os gostos! Confesso que tenho um favorito... a Tânia com os seus dragões e a temática sensível que aborda, simplesmente arrebatou-me. (Mulher eu preciso de mais!). É um livro que no geral me agradou imenso e como o li em ebook. quero muito agora comprar em formato físico que, caso queiram adquirir o vosso, encontram aqui na amazon.

Quero agradecer às meninas por me darem a oportunidade de ler este livro e parabenizá-las pelo trabalho incrível ❤ Um enorme beijinho 


quinta-feira, 7 de maio de 2020

Contos de Fadas para Millenials - Bruno Vincent


Título| Contos de Fadas para Millenials
Autor| Bruno Vincent
Editor| Nuvem de Tinta
Páginas| 184

Sou apaixonada pelos contos clássicos, por isso, mal vi este lançamento da Nuvem de Tinta percebi que tinha que ler. O livro conta com 12 contos adaptados para a geração millenial, super engraçados e que abordam diversos temas atuais como feminismo, igualdade social, veganismo... e é super giro ver a criatividade do autor e tentar perceber as analogias, como por exemplo a loja Minicesto, que é obviamente o Mini-Preço 😂 

A leitura foi uma completa surpresa para mim, por isso, decidi que não queria fazer mini-resenha de cada conto, para que possam ser totalmente surpreenddos como eu. No entanto, tinha que arranjar uma forma de vos mostrar o quando o livro é hilariante e que vale a pena ser lido... e como é que vou fazer isso? Decidi que vou falar abertamente sobre um único conto, o primeiro que é o d'A Branca de Neve e os Sete Anões e assim já terão uma ideia do que esperar dos restantes contos. Ao longo do meu resumo, vou deixando algumas quotes que acho que mereciam ser partilhadas.

A Branca de Neve e os Sete Anões

Aqui temos a Rainha que após o seu marido morrer, decide fazer mudanças drásticas no seu reino, para mudar a vida do seu povo. 

"A primeira coisa que eliminou foi a expectativa antiquada de que todos tinham de ter o mesmo emprego dos pais. (...) Pusera também fim ao sistema patriarcal de preferências. Pouco mais de metade dos lugares da corte eram agora ocupados por mulheres, e as etnias dos que detinham cargos refletiam (tão rigorosamente quanto podia ser determinado) a composição demográfica da população."

Mas a Rainha  era muito vaidosa e perguntava todos os dias ao seu espelho mágico "Espelho meu, espelho meu, há alguma mulher mais bela do que eu?", até que o espelho, um dia, diz que a sua entediada Branca de Neve, é sim mais bonita que ela. Depois disto, Branca de Neve desaparece sem deixar rasto e ninguém sabe nada dela... mas sete amigos não desistiram de ffalar sobre o assunto e criaram o podcast "Sangue Vermelho", onde analisavam semanalmente as pistas encontradas e tentavam desvendar o mistério.

"Primeiro, fora o podcast gorado do início, em que resumiram os episódios da Guerra dos Tronos, mas depressa perceberam que andavam todos a fazer o mesmo. Era o truque mais velho do livro dos podcasts."

Até que um dia, a própria Branca de Neve é a convidade do podcast, porque encontraram-na e ela queria contar a sua história. Todos aqueles meses, ela esteve a visionar o planeamento e a construção de uma aldeia completamente nova que só seria revelada quando terminassem as obras. 

"Claro que qualquer inveja que a Rainha tivesse sentido da enteada ao ver o seu rosto no espelho, durara meros segundos. A Rainha, percebeu imediatamente que duas mulheres seriam mais fortes juntas. O que a fizera empalidecer e depois ruborizar foi, primeiro, o horror e, depois, a vergonha de não ter percebido até aí a mulher talentosa e determinada que era a sua enteada. E quanto à ideia de que ela alguma vez competiria com uma mulher mais nova por algo básico como inveja sexual? Simplesmente sexual!" 
Esta é uma histórias com o final mais feliz, que fala sobre sororidade, girl power, entreajuda entre mulheres, feminismo... Foi, sem dúvida, um dos meus favoritos 💙 Mas não achem que todos os contos são assim felizinhos, pois há um ou outro até meio macabro, mas que não deixa de ser atual e que nos faz refletir imenso.

Beijinhos ❤
Beijinhos

sexta-feira, 24 de abril de 2020

Harleen (Parte 1) - Stjepan Sejic


Título| Harleen
Autor| Stjepan Sejic
Editor| Levoir 
Páginas| 112


Nunca fui grande fã de HQ/BD, mas quando vi este livro fiquei com muita vontade de ler. Achei a arte da capa lindíssima, que é algo o ponto principal, para mim, neste género de livros. Para além disso, a Herley Quinn é uma personagem que me fascina.

Nunca se sabe muito bem em que 'equipa é que ela joga'. Tanto é uma completa vilã, ao lado do Joker, como é uma anti-heroína, sendo que com a personalidade dela e os seus métodos, nunca dá para ser totalmente uma heroína. Sempre quis saber mais sobre a história dela e o que a levou a tornar-se quem é, como começou o relacionamento com o Joker... e é isto que esta duologia do Stjepan Sejic nos apresenta.

Este primeiro livro, foca-se mais no antes... Vemos como era a nossa Harley antes de conhecer o Joker, como era a vida dela, o que ela fazia e como é que estes dois personagens, de mundos completamente diferentes, se encontraram. Eu adorei a personalidade dela e fiquei viciada no Joker. É óbvio desde o início que ele 'não joga com o baralho todo' ( #ModoTrocadilhoFoleiro ), mas é fascinante o modo como ele pensa e chega a fazer-nos refletir e pensar "Até que ponto ele não tem razão?".

Eu acabei o livro chocada da minha vida, a ansiar pelo próximo, a babar nas artes maravilhosas e cheias de detalhes. Eu aconselho mesmo muito este livro! É das artes mais lindas que eu já vi, sendo que o traço é uma questão de gosto, e é impossível não nos interessarmos por esta história, que é mais do que tudo, o reflexo de um relacionamento abusivo.

Li em e-book, mas quero comprar para ter esta edição na minha estante. Preciso muuuuuito do segundo livro, que com certeza terá ainda mais ação e história e vamos saber muito mais a fundo sobre o relacionamento deles. 



#FicaEmCasa ❤
Beijinhos

domingo, 19 de abril de 2020

Mulherzinhas - Louisa May Alcott


Título| Mulherzinhas
Autor| Louisa May Alcott
Editor| Porto Editora
Páginas| 416

Olá meus amores! Antes de partirmos para a resenha, vamos só falar desta edição maravilhosa. A coleção #cássicos da Porto Editora é simplesmente lindíssima, com ilustrações que enriquecem a história, com uma linguagem mais simples e que vai fazer com que todos (incluindo os mais jovens) dêem oportunidade a estas histórias. Eu, que não sou muito de ler clássicos, já quero a coleção inteira, e pretendo trazer-vos a minha opinião sobre cada um deles, se assim me for possível.

Para quem não conhece, Mulherzinhas é um romance autobiográfico, publicado originalmente em 1868 e traz-nos a história de quatro irmãs, durante a Guerra Civil Americana. Com o pai longe de casa , na guerra, a mãe a trabalhar exaustivamente para lhes dar o melhor e sustentar a família, elas precisam de cooperar e de apoiar umas às outras... mas nem sempre é fácil, porque elas são todas diferentes.

Temos a Meg, a mais velha, já adulta, obediente, vaidosa... Está na idade de querer agradar os outros, de querer mostrar que é tão boa quanto as amigas, que também se sabe vestir bem e ser uma 'lady'. Cuida das irmãs e tenta sempre ajudar na educação delas. A seguir é a Jo (a minha favorita), impulsiva, destemida, criativa, arrojada para o seu tempo... Eu adorei esta personagem! É, sem dúvida, a personagem mais feminista que temos neste livro, tendo em conta a época em que se passa. Não se importa com o que os outros pensam dela, nem se é uma 'lady' ou não, Apenas se quer divertir e fazer aquilo de que gosta. É escritora e muito mandona. 

Depois é a Beth, a mais pacífica, tímida e introvertida. Por vezes, esta personagem irritava-me, porque a achava muito pãezinho sem sal, mas com o tempo, aprendi a apreciar a calma dela, o amor incondicional que tem pelas irmãs e o esforço que faz para que esteja sempre tudo bem. Por último, a que eu menos gosto, a Amy. Vou aqui já esclarecer (e agora toda a gente vai achar que eu sou má pessoa), mas eu não tenho muita paciência para crianças, muito menos quando são mimadas... o que é o caso desta personagem. Super vaidosa, acha-se muito crescida, não obedece... E no meio do livro tem uma atitude para com a Jo, que para mim só lá ia com dois tabefos naquela cara e nunca mais a desculpava... sendo que neste livro, mesmo que com uma linda mensagem de amor entre irmãs e arrependimento, não me convenceu, porque o perdão, para mim, tem limites...

No geral, gostei muito da história. Não esperem muita ação, nem plot twists, mas o enredo é leve, as personagens são cativantes e parece que alguém nos está a contar a história de vida de uma família simples. Há momentos de valentes gargalhadas, principalmente com a Jo e o Laurence (outra personagem de que gostei muito). Acabamos por nos afeiçoar e cada vez que voltámos ao livro é como se regressássemos para ao pé de um grupo de amigas, que nos contam a sua vida. Recomendo a leitura e já quero a continuação - Boas Esposas.

Em breve, após ver a adaptação, pretendo vir cá editar o post e fazer uma comparação entre ambos, por isso, mantenham-se de olho por aqui. E vocês, já leram este livro? Viram a adaptação? Contem-me tudo ...

#FicaEmCasa ❤
Beijinhos

segunda-feira, 23 de março de 2020

A Quinta - Joanne Ramos


Título| A Quinta
Autor| Joanne Ramos
Editor| Saída de Emergência 
Páginas| 320

Vou confessar que o forte motivo que me fez querer ler este livro, foi por ele ser uma recomendação do mês de Março do Book Gang, mas depois de a Helena Magalhães o ler disse que ficou desiludida com o final e eu já comecei a perder lentamente a curiosidade inicial. Acabou por não ser tão mal quanto eu esperava no final, mas não tão bom como eu esperava inicialmente.

Aqui vamos conhecer o negócio da Golden Oaks, uma grande empresa de barrigas de aluguer, em que as mulheres são bem pagas, mas em contrapartida, durante a gravidez estão enclausuradas neste retiro, onde tudo é monitorizado, desde o que comem ao que bebem, têm atividades programadas, não podem fazer nada que saia do programa, porque se prejudicam o bebé, ficam sem o prémio. É no meio disto que conhecemos a Jane, uma imigrante filipina, desesperada para dar um futuro melhor à sua bebé acabada de nascer. Ela toma a decisão de deixar Amalia com a sua prima e assim torna-se uma "hospedeira".

Vamos começar por falar que a sinopse, para mim, é daquelas que nos induz a erro e leva-nos a uma ideia e quando lemos o livro não é nada disso. A meu ver, a Jane não é propriamente a protagonista, visto que a vamos acompanhando assim como a várias outras pessoas. A narrativa vai alternando entre os pontos de vista da Jane, da Reagan, outra hospedeira da Goldan Oaks, da Ate (a prima idosa que ficou responsável pela Amalia, a filha de Jane) e Mae, a pessoa na frente da empresa. Para além disso, na sinopse é-nos dito que não pode haver contacto com o exterior porque se não as hospedeiras perdem o prémio pela gravidez... e não é verdade! Elas falam por chamada e video-chamada sempre que querem, recebem visitas e podem também visitar, com o consentimento das clientes (verdadeiras mães dos bebés)... A Jane acaba por ser mantida longe da sua família, mas por razões que terão que descobrir lendo o livro 😋

Eu tive sérios problemas para me conectar com as personagens até meio do livro... A Jane é chata e insossa e quando lhe dá para ser 'corajosa' é para ser basicamente falsa e fazer queixa de outra hospedeira, sendo que quando o devia ter feito, ficou calada. No entanto, mesmo não sendo mãe, percebi o sofrimento e o desespero dela em várias cenas, o que me fez aproximar mais dela emocionalmente. Mas a minha personagem favorita é, sem dúvida, a Reagan, a que parecia ser a típica menina rica, que podia ter tudo, mas escolheu aquilo por um própósito, que vê o melhor nas pessoas, que vai à luta por aquelas que considera amigas (principalmente a Jane, que nem merece). 

Mae, que é a uma das criadoras da empresa, irritou-me muitas vezes, principalmente quando era vista pelos olhos das hospedeiras e eu, no caso delas, acho que já lhe tinha mandado com alguma coisa na testa. Mas a verdade é que gostei dela e entendi, nas partes narradas por ela, que ela achava que estava a fazer genuinamente algo de bom, olhando aos lucros claro, mas também preocupando-se com o bem-estar das clientes (até certo ponto). Acho que no final ela abre os olhos e percebe coisas que não tinha percebido antes.

O que me fez confusão foi o final! A história tinha tudo para ser uma crítica à sociedade em vários pontos, a começar pela exploração de mulheres não brancas, que procuram uma vida melhor na América e acabam por ser exploradas como amas, empregas de limpeza, entre outras coisas e vivem, muitas das vezes, em situações precárias. A premissa era ótima, mas sinto que a autora não a soube aproveitar. Recordou-me a experiência que tive com "Vox", que era um livro que podia ser tudo, que podia ter-se focado no papel da mulher, na voz que ela precisa ter e podia ter terminado com um final badaas, mas foi focar-se no romance e nem sequer concluiu a história. Basicamente, aqui é a mesma coisa, só não se foca no romance, mas as grandes questões e problemas mantêm-se...

Com isto, não quer dizer que não recomende o livro, porque como mencionei, tem uma grande crítica social (até cagar com tudo no final) e faz-nos refletir em vários assuntos, nomeadamente na maternidade, que é algo sobre o qual não me debruço ainda muitas vezes. Acho que para quem já é mãe, o livro é capaz de ser muito mais impactante e deve ser sentir uma maior conexão com as personagens, principalmente com a Jude.

#FicaEmCasa ❤
Beijinhos



sábado, 21 de março de 2020

O Príncipe Cruel - Holly Black


Título| O Príncipe Cruel
Autor| Holly Black
Editor| Topseller
Páginas| 400

Tanta gente falava deste livro lá fora que quando a editora Topseller lançou a bomba que o ia lançar o bookstagram português 'surtou'! É claro que eu fui uma dessas pessoas e, graças a deus, consegui um exemplar. Andei louca para o começar a ler e foi tão bom que li em em menos de dois dias.

A história começa de uma forma trágica e crua, que já nos mostra que este reino das fadas não vai ser só amor e pózinhos mágicos. Somos apresentados à Jude e às suas irmãs, que assistem ao assassinato dos seus pais, pela mão de uma fada, o Madoc, que as leve com ele para o seu mundo. Tayrin é irmã gêmea de Jude, mas Vivianne, a mais velha, é meio-fada e filha de Madoc, acabando por se responsabilizar pelas três e as criar como suas filhas. Este é o primeiro plano e é apenas o que vos vou contar da história! Apesar de querer muito ler este livro, nunca procurei resenhas e, por isso, fui agradavelmente surpreendida e quero a mesma experiência para vocês ❤ 

É um livro que não tem muito romance, pelo menos a meu ver, embora vejamos algo a despontar ali, que possa vir a ser desenvolvido no segundo livro, mas foca-se principalmente no crescimento da Jude, na apresentação deste mundo e em jogos e guerras políticas. A Jude foi uma enorme surpresa para mim! Ela não é a típica protagonista que já é foda só porque sim, ela batalha, ela aprende, ela luta, ela corre atrás e mesmo quando ainda não está pronta, quando ainda não tem como se defender, ela engole o medo, ela posiciona-se, ela quer dar a sua opinião... #PalmasParaEstaMulher

Tayrin, pelo contrário, não gostei nada! Nossa, que menina chata! Ela é mimada, sem sal, ingênua e ainda quer que a irmã seja como ela e culpa-a por tomar uma atitude quando elas basicamente sofrem bullying de outras fadas. No final do livro a minha opinião intensificou-se ainda mais e eu só queria pegá-la pelos ombros e chocalhar "Acordaaaaa!!!!". Já da Vivi eu também gostei, porque ela, de uma maneira mais discreta, também luta pelo que quer. Sendo ela a que era mais velha quando tudo aconteceu, tem memórias muito mais frescas de tudo e mesmo tendo tido oportunidade de fugir sozinha, nunca abandonou as irmãs.

A trama é muito rica, tem personagens bem construídos que nos fazem amá-los e odiá-los numa escala que eu nunca acharia possível. Há personagens que também amei odiar hahaha Apesar de o enredo ser mais político, algo que não gosto habitualmente, eu fiquei sempre super interessada e queria ver como tudo ia acabar. O final foi in-crí-vel, com um plot twist maravilhoso e que me deixou a ansiar por mais. Espero que a editora lance logo a continuação.

#FicaEmCasa ❤
Beijinhos

segunda-feira, 16 de março de 2020

As Crónicas dos Cinco Reinos - Francisco Ramalheira


Título| As Crónicas dos Cinco Reinos
Autor| Francisco Ramalheira
Editor| Cordel d'Prata
Páginas| 518

Olá meus anjos, como estão? Espero que se tenham protegido nesta época tão crítica que vivemos. Sigam as medidas de segurança e cuidem de vocês e dos outros. Aproveitem os dias de quarentena para pôr a vossa leitura em dia, que foi exatamente o que eu fiz, com este livro de fantasia de um autor português.

Confesso que quando o autor me propôs o envio deste livro, na minha cabeça, fiquei de pé atrás, por ser divulgado como "fantasia bem-disposta, pois mistura os conceitos clássicos da Literatura Fantástica, como a magia, o sobrenatural ou a aventura, com uma pitada de humor". E o que acontece? Aqui a vossa amiga não é fã de coisas que se definem como "humoradas". 

Agora deve estar tudo a pensar "Mas que chata! Que seca!"... mas não meus amores. Considero-me até uma pessoa engraçada e divertida, mas aquilo que me atrai é o chamado humor inteligente, o sarcasmo e o humor negro. Aquelas piadas forçadas e, a meu ver, infantis e tolas, não me atraem de todo e, por isso, estava com bastante medo de me deparar com algo do tipo neste livro... mas não meus amigos! E por isso é que este livro me arrebatou...

Aqui temos a história dos Cinco Reinos, focando-se mais neste primeiro livro, no Reino de Sylvarant, que se tornou num império governado com punho de ferro, desde que o impiedoso Lucius Bowdorf assassinou o antigo Rei. Depois de 20 anos a viver sob o medo e a opressão, eis que aparece um grupo de rebeldes, que tem a ousadia de raptar a princesa e, assim, trazer esperança ao Povo. Este grupo ficou conhecido com os Firope, que é composto pelos revolucionários Seth Steiner, os irmãos Leo e Lloyd Ludenberg e Ted Balmore. Ao longo da jornada, outros membros se vão unindo ao grupo, numa aventura repleta de ação, tendo sempre na sua peugada os Black Rogues, a guarda pessoal do imperador. Neste primeiro volume, os nossos rebeldes vão perceber que a Magia não é apenas uma velha lenda e que ainda existem pessoas capazes de a fazer.

"Firope: palavra oriunda da Língua Antiga, cuja etimologia remete para a luz inerente ao sentimento de esperança."

Vamos começar por falar dos personagens que são incríveis! Os meus favoritos são sem dúvida os irmãos Ludenberg, que se 'picam' o tempo todo, mas com piadas realmente engraçadas e eu dava por mim a dar altas gargalhadas (ainda bem que o li em casa, em época de quarentena).  O Seth também é divertido, o 'pinga-amor' do grupo e eu ria-me imenso com os 'cortes' que ele levava das meninas. O Ted ainda não me fez cair de amores por ele, mas é um verdadeiro líder e houve cenas em que lhe queria dar um abracinho. Outra personagem que me fazia rir imenso era o padre Chandler que é cego e só fazia piadas em relação a si próprio e à sua incapacidade visual #hilariante

A história tem um fio condutor extremamente bem conseguido! Tudo se encaixa, tudo faz sentido, tudo tem uma ligação... É uma fantasia medieval ao estilo Game of Thrones (preparem os lenços para o final), mas sem tantos personagens e de uma escrita mais simples e acessível. Li nalgumas resenhas que tem várias referências portuguesas, nomeadamente aos Gato Fedorento (que eu particularmente não aprecio ... o meu namorado que não me ouça), mas aqui a menina não as achou. Não deixa de ter um humor muito português, mas uma coisa que me incomodou foi o facto de os meninos serem um pouco misóginos e maxistas. Compreendo que também ter a ver com a época em que se encontram, mas não gostei muito de algumas dessas tiradas, sendo a única coisa negativa que tenho a apontar. 

Sendo eu grande amante de fantasia e magia, gostei como o autor abordou esses assuntos e as bases que ele criou para a utilização da magia e de onde ela vem, pois é muito bom quando um autor cria um novo mundo e cria e explica as suas regras, para que este seja mais credível. Fiquei curiosa para saber mais, principalmente sobre aquilo que acontece no final (ai a dor de ter que conter os spoilers). Quero saber o que aconteceu com os meus meninos, quero saber se as minhas teorias estão certas, quero saber como isto irá terminar...

Para isso, é preciso que o segundo livro seja lançado (que o autor já tem escrito), mas para isso é preciso que apoiemos e que compremos este livro. Afinal não é novidade para ninguém que é preciso que os livros se vendam. Comprem porque vão adorar, comprem porque não se vão arrepender e comprem porque, tal como eu, vão querer e precisar que a continuação seja lançada de imediato.

Sigam o autor e as novidades através do ig @cacagambuzinos, que é uma página também com muito humor. O Francisco é uma pessoa extremamente gentil e engraçada e podem falar com ele abertamente. Aproveito para lhe agradecer mais uma vez por esta oportunidade e experiência incrível que foi ler "As Crónicas dos Cinco Reinos". Espero mesmo que em breve já possamos ter a continuação desta história nas mãos.


#FicaEmCasa ❤
Beijinhos

quinta-feira, 5 de março de 2020

Fala-me de Um Dia Perfeito - Jennifer Niven


Título| Fala-me de Um Dia Perfeito
Autor| Jennifer Niven
Editor| Nuvem de Tinta
Páginas| 384

Oi meus anjos!
Terminei este livro há uns dias e publiquei este post no instagram, onde abri o meu coração por completo com vocês e mostro uma pontinha daquilo que a minha ansiedade e depressão me fazem sentir, por vezes... Mas nem tudo é mau ok? Por isso, hoje trago uma resenha completa e ainda uma comparação com o filme.

Para quem não sabe, "Fala-me de Um Dia Perfeito" é o mesmo livro que "Por Lugares Incríveis" no Brasil, que conta-nos a história do Finch e Violet, que se encontram no cimo da torre da escola, quando ambos têm a ideia de se suicidar. #pesado Violet Markey é popular e linda, mas vive atormentada desde o acidente que lhe levou a irmã, que era a sua melhor amiga. Theodore Finch é o estranho da escola, mas o que muitos não sabem é que ele faz de tudo para "se manter acordado", enquanto que a depressão só quer que ele desista de tudo. 

A relação deles começa devagarinho... Algo que me agradou, porque nem tudo é instalove e uma pessoa já não aguenta mais com isso (ok, eu gosto, mas uma pausa às vezes é bom, tá?).  Eles vão-se conhecendo ao longo do trabalho que estão a fazer juntos para a escola, em que têm de visitar alguns lugares do seu Estado e escrever sobre eles e estas eram as partes que mais me entusiasmavam: o lugar para onde eles iam a seguir, porque podia ser desde uma coisa muito básica, mas que eles tornavam mágico juntos, até algo que nos deixa "uou, eu também quero". Deu-me muita vontade de procurar sítios destes na minha cidade! Lugares que nem aparecem nos mapas, mas que são mágicos de alguma forma e que é preciso falar-mos com as pessoas, principalmente as mais velhas, para os encontrar-mos. 
Ao longo do livro, o Finch ajuda muito a Violet a querer voltar a viver, a superar os seus medos, a querer ir mais longe, a revelar-se ao monte de possibilidades que tinha enterradas dentro dela... Ele, por vezes, irrita-me porque é demasiado intenso, explosivo, impulsivo... mas a verdade é que o percebo. E a Violet é incrível e merece tudo, merecia mais e não consigo imaginar toda a dor que ela suportou e a força que ela tem para se manter de pé.

A história é incrível, mas há um grave problema para mim... a forma como é divulgado. Com isto refiro-me ao facto de que ele é mostrado como um romance, uma história linda de amor, pesada e com sofrimento, mas de superação. Talvez o erro seja meu (e corrijam-me se assim o for), mas até mesmo quando o livro ainda não tinha sido lançado em Portugal, era isso que as outras divulgações lá fora e até outras resenhas me mostravam... E ISSO É GRAVE! 

Porquê? Mais uma vez abro o meu coração e esclareço-vos: sofro de depressão e ansiedade, desde bem novinha. Há dias bons e dias maus e dias muito maus, em que tudo para mim funciona como um gatilho para que eu tenha uma crise. Quando vi este livro estava numa das minhas má fases, mas achei "Ora, um bom livro para me mostrar que nem tudo é mau, que é possível sair destes momentos mais escuros e que com o amor tudo se consegue (e graças a Deus eu tenho uma relação maravilhosa)"... Seria lindo se assim fosse, mas não é o que acontece... Não me posso alongar muito sem dar spoiler, mas acho importante as pessoas irem preparadas para o que vão ler. Principalmente, quem sofre de problemas como depressão e ansiedade, precisam ser alertados! 

Concluindo, é uma história pesada, crua, entrelaçada com momentos lindos, esperançosos e que nos fazem querer ver o mundo. Uma narrativa de altos e baixos, assim como a vida, em que temos momentos que não nos fazem mais querer estar aqui e outros que nos mostram as possibilidades que perderíamos se aqui não estivéssemos...

Livro X Filme


Alerto para que quem não quer spoilers de uma coisa ou outra, que não leia esta parte, por isto é mais um desabafo para quem já viu ambos e ficou, tal como eu, revoltada e P da vida...

Vamos começar pelos personagens... Onde está a mãe do Finch, que no filme só aparece no final? No livro ela mostra-nos que muitas das vezes as mães não sabem o que se passa na cabeça dos filhos, que não estão atentas "aos sinais" e aceitam muitos dos comportamentos como "rebeldia" ou até "uma fase". E o pai? E a nova família? Acho que também tem uma carga importante, porque percebemos que o Finch sofreu na infância e que a sua perturbação talvez venha do lado paterno. No filme temos uma conversa dele com a irmã, em que dá a entender isso e que ele acha que não pode mudar, visto que o pai não mudou, mas era preciso mais. O pai abandonou-os e trocou-os por outra família e isso, com certeza, tem um grande impacto na personalidade e sentimentos do Finch, que acha que nunca é o suficiente. E por falar em irmã... onde está a irmã mais nova dele? Para quem só viu o filme, sim, ele tinha duas irmãs. Um dos momentos mais lindos do livro é quando ele e a irmã pegam em livros e recortam TODAS as palavras negativas, deixando só as coisas boas ❤

Falando no que está relacionado com a Violet... Tira-me esses óculos, minha filha! No livro, bem no início, ela usa os óculos da irmã, mesmo não sendo o tipo de graduação que ela precisa, porque faz com que ela se sinta mais próxima; mas logo depois de se começar a relacionar com o Finch, ela devolve os óculos ao quarto da irmã e agradece... Outra cena linda que perdemos! E o que fizeram com a minha Ellen Fanning? A actriz é lindaaaaa... e puseram-na durante o filme inteiro com uma cabelo seboso, com uma cor muito estranha, que num momento está muito branco e noutra cena já está amarelo mijo... Vamos ter cuidado com essas coisas sim? E uma das coisas que cortaram no filme e que eu não perdoo: A SEMENTE! A Violet e a irmã tinham um blog/revista online onde falavam um pouco sobre tudo e depois que a irmã morreu ela não consegue voltar a escrever. Com a ajuda do Finn ela começa a pensar numa nova revista/blog, onde quer falar de muitos mais assuntos importantes e onde junta um grupo de meninas maravilhosas como equipa. É lindo!

Falando sobre mais duas alterações de personagens... Porquê que cagaram completamente para a descrição da Brenda, a amiga do Finch? Ela é gorda, feminista, fala o que pensa, mas ao mesmo tempo gosta do rufia da escola que não a merece. Desenvolvimento super importante e maravilhoso, completamente perdido. E não percebi o porquê de juntarem o Roamer com o Ryan? O Roamer é, tal como mostra no filme, um "bully", arrogante, mas o que é importante e fica de fora, é que ele e o Finch eram melhores amigos. E o Ryan é o "ex" da Violet, que achei até uma pessoa decente, que não sabe como lidar com a nova "Violet", mas que lhe dá espaço, que a respeita e que não é nada como no filme, visto que juntaram a personalidade dele ao Roamer e, como eles são a mesma pessoa, ele tem atitudes super otárias e maxistas.

Tivemos também outras mudanças na narrativa e locais... Por exemplo, logo no início do filme, o Finch vai correr e encontra a Violet no cimo da ponte onde decorreu o acidente, mas no livro eles já lá estão os dois quando reparam um no outro, e é na torre da escola, em que depois todos ficam a pensar que o Finch se ia suicidar e que a Violet foi lá para o ajudar. Também faltaram alguns dos sítios que eles visitaram (onde está as cabanas biblioteca com a senhorinha amorosa???) e mudaram o mais importante... o Buraco Azul, que alteram para um lago no filme. O Buraco Azul é muito importante, porque tem toda uma história e explicação sobre o sítio, que o faz ser tão especial para o Finch. 

O próprio final não é igual, porque a Violet visita todos os sítios que lhe faltavam visitar com o Finch, visto que ele foi deixando pistas, até que ela encontra o Buraco Azul e é muito pesada a cena em que ela tem que reconhecer o corpo dele (percebo o porquê de tirarem esta cena do filme). Quando ela chega à igrejinha é lindooo, mas faltou a carta que o Finch lhe deixou, com uma música escrita para ela e com uma mensagem de fazer chorar.

A verdade é que o filme me fez chorar e o livro não, mas eu acho que era porque na parte final da leitura eu estava apenas em choque, sem saber lidar com o que estava a acontecer, enquanto que no filme eu entreguei-me às minhas emoções. Como podem perceber por tudo o que está escrito acima, eu realmente fiquei muito desiludida com o filme (talvez porque ainda tinha a história muito presente na mente) e sofri um choque com o livro, mas aconselho... apenas vão preparados!

All the Bright Places 🌠
Beijinhos

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

A Casa com Patas de Galinha - Sophie Anderson


Título| A Casa com Patas de Galinha
Autor| Sophie Anderson
Editor| Minotauro
Páginas| 292

Um livro extraordinário que ultrapassa aquilo que conhecemos como conceito de juvenil. Li primeiro "A Rapariga que Falava com os Ursos" onde as personagens deste livro aparecem, por isso pensei que não aproveitaria tanto esta história, mas a verdade é que nada do que realmente importa nos é contado.

A nossa protagonista é a Marinka, que vive com a avó que é uma Yagga, numa casa com patas de galinha, que se move conforme a sua vontade, sempre para lugares inesperados, desde uma floresta, a uma ilha... podem acordar em qualquer lugar. As Yagga são pessoas que vivem afastadas da sociedade e o seu trabalho é guiar os mortos através do portal. Marinka será a próxima, mas não aceita que esse seja o seu destino... sem convívio com os vivos, sem nunca poder ter um amigo, nem criar raízes em nenhum lugar.

Na primeira parte de "A Casa com Patas de Galinha" temos logo um plot twist que não vi a chegar. Não é que seja descabido, pois tudo se encaixa, mas não é, de todo, esperado. Já reparei que a autora coloca 'cenas' e acontecimentos mais sombrios nos seus livros, que não esperamos neste género literário. Aqui a morte é a base no qual o livro é criado, sendo que tudo é tratado de forma leve e quotidiana, mas que nos faz refletir sobre a vida e no depois desta.

Não esperava, de todo, a maioria dos acontecimentos e fui-me surpreendendo a cada página. Quando achava que tudo era previsível, principalmente o final, a autora troca-me as voltas... e é lindo. Aprendemos tanto sobre a perda, sobre o destino, sobre os sonhos... O companheirismo da Marinka e da casa é algo tão bonito que já quero uma casa com patas de galinha para chamar de minha. A Casa é inteiramente uma personagem, que sem falar nos transmite uma personalidade incrível.

É uma história que recomendo muito e de coração cheio. INÍCIO DE SPOILER: Só não desculpo a Marinka não ter tido tempo de se despedir da avó, mas é isso que nos faz acreditar que ela voltará, até ao último minuto... FIM DE SPOILER. Leiam os livros desta autora ❤ É algo que eu não sabia que precisava na minha vida, mas já quero ler tudo o que esta mulher publica.

Um dia seremos todos guiados por uma Yagga 🎇
Beijinhos



sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

E Se Formos Nós - Adam Silvera e Becky Albertalli


Título| E Se Formos Nós
Autor| Adam Silvera e Becky Albertalli
Editor| Topseller
Páginas| 400

Desde que este livro saiu originalmente que fiquei curiosa, por isso fiquei super entusiasmada quando soube que a Topseller o iria lançar e tive que ler. Fevereiro foi, sem dúvida, a melhor altura para o fazer, pois além de se tratar de um young adult LGBT e estarmos no mês do amor, foi também uma leitura recomendada pela Helena Magalhães no Book Gang e eu nunca tinha conseguido ler uma das recomendações no mês exato.

Neste livro temos o Arthur e o Ben. Eles encontram-se por obra do destino num posto do correio e falam apenas durante breves momentos, mas nunca mais deixam de pensar um no outro. Uma das coisas que gostei deste livro é que fala muito sobre o destino, que é um assunto sobre o qual me debato e suscita imensa curiosidade em mim e acho que o Arthur pensa o mesmo que eu... O destino dá-nos possibilidades, pequenos 'emporrõezinhos'... mas nós temos que ir lá e fazer o resto. Creio que na maioria das vezes que as pessoas culpam 100% o destino é apenas para não se arrependerem de não terem feito algo ou se desculparem por o ter feito.

Confesso que gostei muito mais do Arthur do que do Ben. Super engraçado e carismático e desde o início que lutou para encontrar o Ben, mesmo sabendo que poderia não dar em nada, arregaçou as mangas e foi... O Ben apesar de ser um nerd (que me faz automaticamente gostar das pessoas) teve atitudes que me deixaram de pé atrás. INÍCIO DE SPOILER Como no primeiro encontro, em que decide levar o Arthur a um lugar que o faz lembrar imenso da ex relação e parecia que estava mais empenhado em competir do que realmente divertir-se e conhecer a pessoa que tinha ao lado. O Arthur é realmente bom menino, porque já aí eu tinha lhe dado um chuto no c#. FIM DE SPOILER

Apesar dos entraves iniciais, é óbvio que acabei por torcer imenso por este casal, que me fazia sempre pensar no Eric e no Rahim de Sex Education 😃 Para mim, o Eric era sem dúvida o Arthur, apesar de fisicamente não serem descritos da mesma forma, a essência é absolutamente a mesma. Mas vamos falar do melhor personagem desta história? Dylan! Nossaa, como eu o adoro. É super hilariante, nada discreto mas super sincero, intenso, amigão, apaixonado... Torci mais por ele com a Samantha do que pelo casal principal #sorrynotsorry~


O que me fez gostar tanto deste livro, não foi o romance do Arthur e Ben, mas toda a complexidade das muitas mais relações que nos são apresentadas... Desde os pais do Arthur que atravessam uma fase difícil, os pais do Ben que são adoráveis, relação entre pessoas que eram só amigas e tinham medo de estragar a amizade, relação de pessoas que já foram amigas mas após a relação se afastaram, relação entre amigos que após términos de relacionamentos acabam por escolher um dos lados, relação entre ex namorados que podem ou não ficar amigos...

Por isso é que este livro é lindo e perfeito para ter sido lido no mês de Fevereiro, pois é cheio de todo o tipo de relações 💕 com personagens complexas e com personalidades bem definidas. Que erram, que aprendem e que nos mostram que não existe só um lado, só uma visão, nem só uma forma de se fazer as coisas. A única coisa que mudava neste livro? O final! Não é mau ok? Mas pessoas como eu, que se apegam e se tornam amigos dos personagens, vão sempre querer mais, vão precisar de mais respostas... Mas foi uma boa conclusão!

Primeira resenha de 2020 🎇
Beijinhos

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O céu é para quem não desiste de voar - Miguel Ribeiro


Título| O céu é para quem não desiste de voar
Autor| Miguel Ribeiro
Editor| Manuscrito
Páginas| 200

Antes de mais nada preciso de pedir imensa desculpa ao autor Miguel Ribeiro, que me disponibilizou este livro com todo o carinho e que eu demorei imenso tempo a ler. Acontece que não sentia que estava no momento certo e que não o aproveitaria como deve ser se o lesse forçado. Espero que ele me perdoe, mas não me arrependo e agora apôs o ter lido sei com toda a certeza que tomei a decisão certa.

O Céu é para quem não desiste de voar está escrito de uma maneira invulgar. Temos uma história principal que nos leva numa viagem incrível, ao estilo de "O Princepezinho" e pelo meio da história vamos tendo alguns poemas/crónicas. Aqui vem o meu segundo pedido de desculpas ao autor. Sei que se ele escreveu assim é porque achou o mais correto e pretendia que o lêssemos dessa maneira, mas eu não estava a conseguir...

Começava a história e eu gostava, aí parava começava um poema/crónica e eu ficava triste. Apegava-me aos poemas/crónicas e aí parava e começava outra vez a história e eu ficava frustrada. Havia um quebrar na leitura que não me estava a ser confortável. Decidi então ler primeiro a história do menino e só depois os poemas/crónicas e funcionou maravilhosamente para mim.

Assim, foi como se tivesse dois livros em um. Li uma história linda, que me fez pensar muito e que ficará gravada no meu coração e logo depois recomecei o livro como se fosse de poesia e a cada uma ficava mais apaixonada. Às vezes é preciso percebermos o que funciona melhor para nós e não teria tido uma experiência tão boa se não o fizesse desta forma.

A história do menino e da borboleta é simplesmente incrível! Tal como n'O Princepezinho, temos uma história simples, mas que é toda uma metáfora para várias situações de vida. Eu quero falar mais e ao mesmo tempo não quero, porque sinto que devem partir nesta aventura sem saberem nada, para se poderem apaixonar tal como aconteceu comigo. É uma história que pode ser contada aos mais novos, se há medida que formos lendo formos adaptando o vocabulário, visto que o autor utiliza palavras um pouco mais complexas. É uma lição de vida tão linda e que me fez, vez ou outra, ficar com os olhos marejados, já para não falar das saudades que me deu do meu avô.

É um livro mágico, que faz refletir e sonhar, com ilustrações muito fofas ao longo do livro. Acho que também pode ser interessante debater sobre esta narrativa. É daqueles livros que poderia perfeitamente ser, por exemplo, analisado numa aula de portugués, em vez daquelas coisas chatas. Esperemos que um dia percebam que há novos autores portugueses maravilhosos por aí, que apelarão muito mais ao gosto dos jovens de hoje em dia e que motivarão muito mais à leitura.

Obrigada Miguel Ribeiro por esta obra incrível e mais uma vez desculpe por ter demorado tanto tempo a lê-la. Espero por mais histórias maravilhosas que me aqueçam o coração, tal como este.

Nunca desistas de voar ❤
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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Britt-Marie esteve aqui - Fredrick Backman


Título| Britt-Marie esteve aqui
Autor| Fredrick Backman
Editor| Porto Editora
Páginas| 304

Este foi daqueles livros que entrou de mansinho na minha vida, mas fez morada certa no meu coração. Comecei por vê-lo nos stories das outras pessoas, até que decidi pesquisar a sinopse e achei que seria uma boa história para ler naquel momento. Algo mais leve e engraçado do que andava a ler. Quando ele chegou cá a casa pensei "vou ler só o primeiro capítulo, para ver o que acho", mas não consegui parar até terminá-lo.

Britt-Marie é uma mulher séria, à antiga pode-se dizer e com muitas regras que impõe a si própria. Preocupa-se demasiado com o que os outros podem ou não achar e quando descobre que o seu marido a trai, decide dar uma volta à sua vida e arranjar um emprego.

Vamos começar por pôr os pontos nos "is" e concordar que ela é doida hahaha ou pelo menos foi o que pensei várias vezes nos primeiros capítulos. Todas as cenas com a menina do centro de emprego (entendedores entenderão) foram simplesmente hilariantes e todas as "missões de limpeza" davam-me vontade de começar a limpar também hahaha 

É uma história que começa de forma leve, mas que quando percebemos e olhamos bem, está repleto de mensagens. É muito lindo ver como a comunidade se apoia e estão lá uns para os outros. Britt-Marie nunca dependeu dos outros e demorou mas aprendeu que aceitar ajuda não é fraqueza.

Os miúdos acabam por atirar à cara tudo que até nós leitores pensavamos enquanto líamos e é engraçado vê-la a aprender a lidar com as situações. Britt-Marie em Borg aprendeu que o amor próprio é mais importante que qualquer coisa no mundo e que nunca devemos delegar os nossos sonhos para segundo plano.

O final deste livro é arrebatador e confesso que esperava algo cliché que não veio a acontecer (os meus parabéns à autora por isso). Imagino-o perfeitamente como um bom filme que vai arrancar gargalhadas e lágrimas a toda a gente. 

I was here ❤
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