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domingo, 22 de novembro de 2020

Promessas de Sonhos - Várias Autoras



Título| Promessas de Sonhos
Autoras| Jéssicas Reis, Gabriela Simões, Tânia Dias, Filipa Santos
Editor| Tânia Dias (edição independente)
Páginas| 366

Hoje trago-vos uma resenha muito especial, pois é um livro de contos escrito por quatro autoras portuguesas. A ideia para este livro foi, sem dúvida, genial pois, para além de  cada uma das meninas dar a ideia, tema ou frase para a outra escrever, cada uma das autoras também tinha que se inspirar num elemento (ar, água, fogo e terra). Isto é que foi trabalhar a imaginação!

Visto que se tratam de contos, mais ao menos curtos, não tem muito que eu possa dizer sobre eles sem dar spoiler, então a minha resenha vai focar-se na minha opinião e naquilo que eu senti ao ler cada um deles. Espero que estejam prontos, pois aqui começa uma viagem pela fantasia simplesmente incrível.


Conto: Asas Negras
Autora: Jéssica Reis
Elemento: Ar
Ideia: "Piratas mágicos que raptam nobreza"

Foi-me um bocadinho difícil entrar na história, porque só na primeira página temos nomes e conceitos que nos são estranhos (ou pelo menos para mim), mas a partir do momento que entendi minimamente as coisas, só queria mais e mais. Aqui temos as harpias, mulheres com asas (visualmente, à semelhança de anjos), temos piratas e temos humanos. Korinne (Kore) é a nossa personagem principal, que luta para descobrir a verdade sobre as origens da sua espécie. A ideia é super gira e a Jéssica soube trabalhá-la, mas penso que se tivesse mais espaço (um livro inteiro, maybe) a história seria ainda melhor, porque há muito para explorar neste mundo. Nesse sentido, penso que também melhorariam os plot twists, visto que aqui, pelo menos a mim, acabaram por não surpreender muito, porque a autora não tinha espaço para explorar e deixar as 'sementinhas' para o momento seguinte. Gostava muito que a autora tivesse oportunidade de explorar mais esta história e este mundo.

Conto: Chamas de Ruína
Autora: Tânia Dias
Elemento: Fogo
Ideia: "Ela olhou para trás com um sorriso desafiante nos lábios e cabelos esvoaçantes. - Observa. E depois saltou."

Já li este conto há algum tempo e ainda não estou bem! Eu amo dragões e estava ansiosa para este conto... mas superou todas as minhas expectativas. Aliyah é a nossa protagonista e é tão mas tão bem construída, com tantas camadas, que é impossível não acreditar que ela exista mesmo. É uma personagem badass à sua maneira, mas também com falhas, o que a torna bastante humana. É importante salientar que o conto contém gatilho de violação e abuso... mas a Tânia conseguiu abordar o tema com a seriedade merecida, ao mesmo tempo que o aborda de uma forma única, inserida neste mundo místico. Acontece que ainda hoje em dia, continuam a culpar a vítima pelo sucedido e este conto explora muito bem essa temática. Não há maneira de falar mais sem dar spoiler, mas eu preciso de mais! Espero que a autora tenha a possibilidade (e queira) trazer-nos mais desta história, porque eu preciso de respostas para o depois...

Conto: Olhos de Água
Autora: Filipa Santos
Elemento: Água
Ideia: "- Porque é que partiste?. Ela fitou-a de olhos pesados, não só de lágrimas, mas conhecimento. - Se não o fizesse tinhas morrido."

O meu coração ainda está partido em mil bocadinhos. Uma história de amor linda e sofrida, real, crua, triste e bela, mesmo assim. Um casal que passei a amar e a defender com todas as minhas forças e que me despedaçou. É uma história que nos mostra a crueldade dos deuses e o quanto estamos dispostos a fazer por amor. A narrativa vai alternando entre presente e passado e é impossível não nos sentirmos angustiados e até presos, mas também é uma história que nos aquece o coração e nos faz sonhar. Não tenho palavras nem para esclarecer o que este conto me fez sentir! Filipa, obrigada por me destruíres o coração... mas como foi com jeitinho eu perdoo.

Conto: O Modelador
Autora: Gabriela Simões
Elemento: Terra
Ideia: "Ela acordou com o sentimento de pânico. Tinha acontecido novamente: a faca sangrenta estava ao lado dela."

Vocês não estão preparados para este conto... porque eu definitivamente não estava! A Gabby apresenta-nos um dark fantasy super bem construído. Aqui temos os modeladores: uns modelam madeira, outros metal, etc... e temos os que modelam a carne, que são raros, pois esse tipo de modelação é proibída. Conhecemos o "Criador de Rostos" famoso pelo seu trabalho de forma clandestina e a sua assistente Imogene. Não vos posso contar mais, mas este conto é cheio de plot twists incríveis ... e aquele final... Se descobrirem aquele final antes do tempo, dou-vos os meus parabéns.

E são estes os contos, todos eles maravilhosos e há para todos os gostos! Confesso que tenho um favorito... a Tânia com os seus dragões e a temática sensível que aborda, simplesmente arrebatou-me. (Mulher eu preciso de mais!). É um livro que no geral me agradou imenso e como o li em ebook. quero muito agora comprar em formato físico que, caso queiram adquirir o vosso, encontram aqui na amazon.

Quero agradecer às meninas por me darem a oportunidade de ler este livro e parabenizá-las pelo trabalho incrível ❤ Um enorme beijinho 


sexta-feira, 24 de abril de 2020

Harleen (Parte 1) - Stjepan Sejic


Título| Harleen
Autor| Stjepan Sejic
Editor| Levoir 
Páginas| 112


Nunca fui grande fã de HQ/BD, mas quando vi este livro fiquei com muita vontade de ler. Achei a arte da capa lindíssima, que é algo o ponto principal, para mim, neste género de livros. Para além disso, a Herley Quinn é uma personagem que me fascina.

Nunca se sabe muito bem em que 'equipa é que ela joga'. Tanto é uma completa vilã, ao lado do Joker, como é uma anti-heroína, sendo que com a personalidade dela e os seus métodos, nunca dá para ser totalmente uma heroína. Sempre quis saber mais sobre a história dela e o que a levou a tornar-se quem é, como começou o relacionamento com o Joker... e é isto que esta duologia do Stjepan Sejic nos apresenta.

Este primeiro livro, foca-se mais no antes... Vemos como era a nossa Harley antes de conhecer o Joker, como era a vida dela, o que ela fazia e como é que estes dois personagens, de mundos completamente diferentes, se encontraram. Eu adorei a personalidade dela e fiquei viciada no Joker. É óbvio desde o início que ele 'não joga com o baralho todo' ( #ModoTrocadilhoFoleiro ), mas é fascinante o modo como ele pensa e chega a fazer-nos refletir e pensar "Até que ponto ele não tem razão?".

Eu acabei o livro chocada da minha vida, a ansiar pelo próximo, a babar nas artes maravilhosas e cheias de detalhes. Eu aconselho mesmo muito este livro! É das artes mais lindas que eu já vi, sendo que o traço é uma questão de gosto, e é impossível não nos interessarmos por esta história, que é mais do que tudo, o reflexo de um relacionamento abusivo.

Li em e-book, mas quero comprar para ter esta edição na minha estante. Preciso muuuuuito do segundo livro, que com certeza terá ainda mais ação e história e vamos saber muito mais a fundo sobre o relacionamento deles. 



#FicaEmCasa ❤
Beijinhos

domingo, 19 de abril de 2020

Mulherzinhas - Louisa May Alcott


Título| Mulherzinhas
Autor| Louisa May Alcott
Editor| Porto Editora
Páginas| 416

Olá meus amores! Antes de partirmos para a resenha, vamos só falar desta edição maravilhosa. A coleção #cássicos da Porto Editora é simplesmente lindíssima, com ilustrações que enriquecem a história, com uma linguagem mais simples e que vai fazer com que todos (incluindo os mais jovens) dêem oportunidade a estas histórias. Eu, que não sou muito de ler clássicos, já quero a coleção inteira, e pretendo trazer-vos a minha opinião sobre cada um deles, se assim me for possível.

Para quem não conhece, Mulherzinhas é um romance autobiográfico, publicado originalmente em 1868 e traz-nos a história de quatro irmãs, durante a Guerra Civil Americana. Com o pai longe de casa , na guerra, a mãe a trabalhar exaustivamente para lhes dar o melhor e sustentar a família, elas precisam de cooperar e de apoiar umas às outras... mas nem sempre é fácil, porque elas são todas diferentes.

Temos a Meg, a mais velha, já adulta, obediente, vaidosa... Está na idade de querer agradar os outros, de querer mostrar que é tão boa quanto as amigas, que também se sabe vestir bem e ser uma 'lady'. Cuida das irmãs e tenta sempre ajudar na educação delas. A seguir é a Jo (a minha favorita), impulsiva, destemida, criativa, arrojada para o seu tempo... Eu adorei esta personagem! É, sem dúvida, a personagem mais feminista que temos neste livro, tendo em conta a época em que se passa. Não se importa com o que os outros pensam dela, nem se é uma 'lady' ou não, Apenas se quer divertir e fazer aquilo de que gosta. É escritora e muito mandona. 

Depois é a Beth, a mais pacífica, tímida e introvertida. Por vezes, esta personagem irritava-me, porque a achava muito pãezinho sem sal, mas com o tempo, aprendi a apreciar a calma dela, o amor incondicional que tem pelas irmãs e o esforço que faz para que esteja sempre tudo bem. Por último, a que eu menos gosto, a Amy. Vou aqui já esclarecer (e agora toda a gente vai achar que eu sou má pessoa), mas eu não tenho muita paciência para crianças, muito menos quando são mimadas... o que é o caso desta personagem. Super vaidosa, acha-se muito crescida, não obedece... E no meio do livro tem uma atitude para com a Jo, que para mim só lá ia com dois tabefos naquela cara e nunca mais a desculpava... sendo que neste livro, mesmo que com uma linda mensagem de amor entre irmãs e arrependimento, não me convenceu, porque o perdão, para mim, tem limites...

No geral, gostei muito da história. Não esperem muita ação, nem plot twists, mas o enredo é leve, as personagens são cativantes e parece que alguém nos está a contar a história de vida de uma família simples. Há momentos de valentes gargalhadas, principalmente com a Jo e o Laurence (outra personagem de que gostei muito). Acabamos por nos afeiçoar e cada vez que voltámos ao livro é como se regressássemos para ao pé de um grupo de amigas, que nos contam a sua vida. Recomendo a leitura e já quero a continuação - Boas Esposas.

Em breve, após ver a adaptação, pretendo vir cá editar o post e fazer uma comparação entre ambos, por isso, mantenham-se de olho por aqui. E vocês, já leram este livro? Viram a adaptação? Contem-me tudo ...

#FicaEmCasa ❤
Beijinhos

segunda-feira, 23 de março de 2020

A Quinta - Joanne Ramos


Título| A Quinta
Autor| Joanne Ramos
Editor| Saída de Emergência 
Páginas| 320

Vou confessar que o forte motivo que me fez querer ler este livro, foi por ele ser uma recomendação do mês de Março do Book Gang, mas depois de a Helena Magalhães o ler disse que ficou desiludida com o final e eu já comecei a perder lentamente a curiosidade inicial. Acabou por não ser tão mal quanto eu esperava no final, mas não tão bom como eu esperava inicialmente.

Aqui vamos conhecer o negócio da Golden Oaks, uma grande empresa de barrigas de aluguer, em que as mulheres são bem pagas, mas em contrapartida, durante a gravidez estão enclausuradas neste retiro, onde tudo é monitorizado, desde o que comem ao que bebem, têm atividades programadas, não podem fazer nada que saia do programa, porque se prejudicam o bebé, ficam sem o prémio. É no meio disto que conhecemos a Jane, uma imigrante filipina, desesperada para dar um futuro melhor à sua bebé acabada de nascer. Ela toma a decisão de deixar Amalia com a sua prima e assim torna-se uma "hospedeira".

Vamos começar por falar que a sinopse, para mim, é daquelas que nos induz a erro e leva-nos a uma ideia e quando lemos o livro não é nada disso. A meu ver, a Jane não é propriamente a protagonista, visto que a vamos acompanhando assim como a várias outras pessoas. A narrativa vai alternando entre os pontos de vista da Jane, da Reagan, outra hospedeira da Goldan Oaks, da Ate (a prima idosa que ficou responsável pela Amalia, a filha de Jane) e Mae, a pessoa na frente da empresa. Para além disso, na sinopse é-nos dito que não pode haver contacto com o exterior porque se não as hospedeiras perdem o prémio pela gravidez... e não é verdade! Elas falam por chamada e video-chamada sempre que querem, recebem visitas e podem também visitar, com o consentimento das clientes (verdadeiras mães dos bebés)... A Jane acaba por ser mantida longe da sua família, mas por razões que terão que descobrir lendo o livro 😋

Eu tive sérios problemas para me conectar com as personagens até meio do livro... A Jane é chata e insossa e quando lhe dá para ser 'corajosa' é para ser basicamente falsa e fazer queixa de outra hospedeira, sendo que quando o devia ter feito, ficou calada. No entanto, mesmo não sendo mãe, percebi o sofrimento e o desespero dela em várias cenas, o que me fez aproximar mais dela emocionalmente. Mas a minha personagem favorita é, sem dúvida, a Reagan, a que parecia ser a típica menina rica, que podia ter tudo, mas escolheu aquilo por um própósito, que vê o melhor nas pessoas, que vai à luta por aquelas que considera amigas (principalmente a Jane, que nem merece). 

Mae, que é a uma das criadoras da empresa, irritou-me muitas vezes, principalmente quando era vista pelos olhos das hospedeiras e eu, no caso delas, acho que já lhe tinha mandado com alguma coisa na testa. Mas a verdade é que gostei dela e entendi, nas partes narradas por ela, que ela achava que estava a fazer genuinamente algo de bom, olhando aos lucros claro, mas também preocupando-se com o bem-estar das clientes (até certo ponto). Acho que no final ela abre os olhos e percebe coisas que não tinha percebido antes.

O que me fez confusão foi o final! A história tinha tudo para ser uma crítica à sociedade em vários pontos, a começar pela exploração de mulheres não brancas, que procuram uma vida melhor na América e acabam por ser exploradas como amas, empregas de limpeza, entre outras coisas e vivem, muitas das vezes, em situações precárias. A premissa era ótima, mas sinto que a autora não a soube aproveitar. Recordou-me a experiência que tive com "Vox", que era um livro que podia ser tudo, que podia ter-se focado no papel da mulher, na voz que ela precisa ter e podia ter terminado com um final badaas, mas foi focar-se no romance e nem sequer concluiu a história. Basicamente, aqui é a mesma coisa, só não se foca no romance, mas as grandes questões e problemas mantêm-se...

Com isto, não quer dizer que não recomende o livro, porque como mencionei, tem uma grande crítica social (até cagar com tudo no final) e faz-nos refletir em vários assuntos, nomeadamente na maternidade, que é algo sobre o qual não me debruço ainda muitas vezes. Acho que para quem já é mãe, o livro é capaz de ser muito mais impactante e deve ser sentir uma maior conexão com as personagens, principalmente com a Jude.

#FicaEmCasa ❤
Beijinhos



sábado, 21 de março de 2020

O Príncipe Cruel - Holly Black


Título| O Príncipe Cruel
Autor| Holly Black
Editor| Topseller
Páginas| 400

Tanta gente falava deste livro lá fora que quando a editora Topseller lançou a bomba que o ia lançar o bookstagram português 'surtou'! É claro que eu fui uma dessas pessoas e, graças a deus, consegui um exemplar. Andei louca para o começar a ler e foi tão bom que li em em menos de dois dias.

A história começa de uma forma trágica e crua, que já nos mostra que este reino das fadas não vai ser só amor e pózinhos mágicos. Somos apresentados à Jude e às suas irmãs, que assistem ao assassinato dos seus pais, pela mão de uma fada, o Madoc, que as leve com ele para o seu mundo. Tayrin é irmã gêmea de Jude, mas Vivianne, a mais velha, é meio-fada e filha de Madoc, acabando por se responsabilizar pelas três e as criar como suas filhas. Este é o primeiro plano e é apenas o que vos vou contar da história! Apesar de querer muito ler este livro, nunca procurei resenhas e, por isso, fui agradavelmente surpreendida e quero a mesma experiência para vocês ❤ 

É um livro que não tem muito romance, pelo menos a meu ver, embora vejamos algo a despontar ali, que possa vir a ser desenvolvido no segundo livro, mas foca-se principalmente no crescimento da Jude, na apresentação deste mundo e em jogos e guerras políticas. A Jude foi uma enorme surpresa para mim! Ela não é a típica protagonista que já é foda só porque sim, ela batalha, ela aprende, ela luta, ela corre atrás e mesmo quando ainda não está pronta, quando ainda não tem como se defender, ela engole o medo, ela posiciona-se, ela quer dar a sua opinião... #PalmasParaEstaMulher

Tayrin, pelo contrário, não gostei nada! Nossa, que menina chata! Ela é mimada, sem sal, ingênua e ainda quer que a irmã seja como ela e culpa-a por tomar uma atitude quando elas basicamente sofrem bullying de outras fadas. No final do livro a minha opinião intensificou-se ainda mais e eu só queria pegá-la pelos ombros e chocalhar "Acordaaaaa!!!!". Já da Vivi eu também gostei, porque ela, de uma maneira mais discreta, também luta pelo que quer. Sendo ela a que era mais velha quando tudo aconteceu, tem memórias muito mais frescas de tudo e mesmo tendo tido oportunidade de fugir sozinha, nunca abandonou as irmãs.

A trama é muito rica, tem personagens bem construídos que nos fazem amá-los e odiá-los numa escala que eu nunca acharia possível. Há personagens que também amei odiar hahaha Apesar de o enredo ser mais político, algo que não gosto habitualmente, eu fiquei sempre super interessada e queria ver como tudo ia acabar. O final foi in-crí-vel, com um plot twist maravilhoso e que me deixou a ansiar por mais. Espero que a editora lance logo a continuação.

#FicaEmCasa ❤
Beijinhos

segunda-feira, 16 de março de 2020

As Crónicas dos Cinco Reinos - Francisco Ramalheira


Título| As Crónicas dos Cinco Reinos
Autor| Francisco Ramalheira
Editor| Cordel d'Prata
Páginas| 518

Olá meus anjos, como estão? Espero que se tenham protegido nesta época tão crítica que vivemos. Sigam as medidas de segurança e cuidem de vocês e dos outros. Aproveitem os dias de quarentena para pôr a vossa leitura em dia, que foi exatamente o que eu fiz, com este livro de fantasia de um autor português.

Confesso que quando o autor me propôs o envio deste livro, na minha cabeça, fiquei de pé atrás, por ser divulgado como "fantasia bem-disposta, pois mistura os conceitos clássicos da Literatura Fantástica, como a magia, o sobrenatural ou a aventura, com uma pitada de humor". E o que acontece? Aqui a vossa amiga não é fã de coisas que se definem como "humoradas". 

Agora deve estar tudo a pensar "Mas que chata! Que seca!"... mas não meus amores. Considero-me até uma pessoa engraçada e divertida, mas aquilo que me atrai é o chamado humor inteligente, o sarcasmo e o humor negro. Aquelas piadas forçadas e, a meu ver, infantis e tolas, não me atraem de todo e, por isso, estava com bastante medo de me deparar com algo do tipo neste livro... mas não meus amigos! E por isso é que este livro me arrebatou...

Aqui temos a história dos Cinco Reinos, focando-se mais neste primeiro livro, no Reino de Sylvarant, que se tornou num império governado com punho de ferro, desde que o impiedoso Lucius Bowdorf assassinou o antigo Rei. Depois de 20 anos a viver sob o medo e a opressão, eis que aparece um grupo de rebeldes, que tem a ousadia de raptar a princesa e, assim, trazer esperança ao Povo. Este grupo ficou conhecido com os Firope, que é composto pelos revolucionários Seth Steiner, os irmãos Leo e Lloyd Ludenberg e Ted Balmore. Ao longo da jornada, outros membros se vão unindo ao grupo, numa aventura repleta de ação, tendo sempre na sua peugada os Black Rogues, a guarda pessoal do imperador. Neste primeiro volume, os nossos rebeldes vão perceber que a Magia não é apenas uma velha lenda e que ainda existem pessoas capazes de a fazer.

"Firope: palavra oriunda da Língua Antiga, cuja etimologia remete para a luz inerente ao sentimento de esperança."

Vamos começar por falar dos personagens que são incríveis! Os meus favoritos são sem dúvida os irmãos Ludenberg, que se 'picam' o tempo todo, mas com piadas realmente engraçadas e eu dava por mim a dar altas gargalhadas (ainda bem que o li em casa, em época de quarentena).  O Seth também é divertido, o 'pinga-amor' do grupo e eu ria-me imenso com os 'cortes' que ele levava das meninas. O Ted ainda não me fez cair de amores por ele, mas é um verdadeiro líder e houve cenas em que lhe queria dar um abracinho. Outra personagem que me fazia rir imenso era o padre Chandler que é cego e só fazia piadas em relação a si próprio e à sua incapacidade visual #hilariante

A história tem um fio condutor extremamente bem conseguido! Tudo se encaixa, tudo faz sentido, tudo tem uma ligação... É uma fantasia medieval ao estilo Game of Thrones (preparem os lenços para o final), mas sem tantos personagens e de uma escrita mais simples e acessível. Li nalgumas resenhas que tem várias referências portuguesas, nomeadamente aos Gato Fedorento (que eu particularmente não aprecio ... o meu namorado que não me ouça), mas aqui a menina não as achou. Não deixa de ter um humor muito português, mas uma coisa que me incomodou foi o facto de os meninos serem um pouco misóginos e maxistas. Compreendo que também ter a ver com a época em que se encontram, mas não gostei muito de algumas dessas tiradas, sendo a única coisa negativa que tenho a apontar. 

Sendo eu grande amante de fantasia e magia, gostei como o autor abordou esses assuntos e as bases que ele criou para a utilização da magia e de onde ela vem, pois é muito bom quando um autor cria um novo mundo e cria e explica as suas regras, para que este seja mais credível. Fiquei curiosa para saber mais, principalmente sobre aquilo que acontece no final (ai a dor de ter que conter os spoilers). Quero saber o que aconteceu com os meus meninos, quero saber se as minhas teorias estão certas, quero saber como isto irá terminar...

Para isso, é preciso que o segundo livro seja lançado (que o autor já tem escrito), mas para isso é preciso que apoiemos e que compremos este livro. Afinal não é novidade para ninguém que é preciso que os livros se vendam. Comprem porque vão adorar, comprem porque não se vão arrepender e comprem porque, tal como eu, vão querer e precisar que a continuação seja lançada de imediato.

Sigam o autor e as novidades através do ig @cacagambuzinos, que é uma página também com muito humor. O Francisco é uma pessoa extremamente gentil e engraçada e podem falar com ele abertamente. Aproveito para lhe agradecer mais uma vez por esta oportunidade e experiência incrível que foi ler "As Crónicas dos Cinco Reinos". Espero mesmo que em breve já possamos ter a continuação desta história nas mãos.


#FicaEmCasa ❤
Beijinhos

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

O céu é para quem não desiste de voar - Miguel Ribeiro


Título| O céu é para quem não desiste de voar
Autor| Miguel Ribeiro
Editor| Manuscrito
Páginas| 200

Antes de mais nada preciso de pedir imensa desculpa ao autor Miguel Ribeiro, que me disponibilizou este livro com todo o carinho e que eu demorei imenso tempo a ler. Acontece que não sentia que estava no momento certo e que não o aproveitaria como deve ser se o lesse forçado. Espero que ele me perdoe, mas não me arrependo e agora apôs o ter lido sei com toda a certeza que tomei a decisão certa.

O Céu é para quem não desiste de voar está escrito de uma maneira invulgar. Temos uma história principal que nos leva numa viagem incrível, ao estilo de "O Princepezinho" e pelo meio da história vamos tendo alguns poemas/crónicas. Aqui vem o meu segundo pedido de desculpas ao autor. Sei que se ele escreveu assim é porque achou o mais correto e pretendia que o lêssemos dessa maneira, mas eu não estava a conseguir...

Começava a história e eu gostava, aí parava começava um poema/crónica e eu ficava triste. Apegava-me aos poemas/crónicas e aí parava e começava outra vez a história e eu ficava frustrada. Havia um quebrar na leitura que não me estava a ser confortável. Decidi então ler primeiro a história do menino e só depois os poemas/crónicas e funcionou maravilhosamente para mim.

Assim, foi como se tivesse dois livros em um. Li uma história linda, que me fez pensar muito e que ficará gravada no meu coração e logo depois recomecei o livro como se fosse de poesia e a cada uma ficava mais apaixonada. Às vezes é preciso percebermos o que funciona melhor para nós e não teria tido uma experiência tão boa se não o fizesse desta forma.

A história do menino e da borboleta é simplesmente incrível! Tal como n'O Princepezinho, temos uma história simples, mas que é toda uma metáfora para várias situações de vida. Eu quero falar mais e ao mesmo tempo não quero, porque sinto que devem partir nesta aventura sem saberem nada, para se poderem apaixonar tal como aconteceu comigo. É uma história que pode ser contada aos mais novos, se há medida que formos lendo formos adaptando o vocabulário, visto que o autor utiliza palavras um pouco mais complexas. É uma lição de vida tão linda e que me fez, vez ou outra, ficar com os olhos marejados, já para não falar das saudades que me deu do meu avô.

É um livro mágico, que faz refletir e sonhar, com ilustrações muito fofas ao longo do livro. Acho que também pode ser interessante debater sobre esta narrativa. É daqueles livros que poderia perfeitamente ser, por exemplo, analisado numa aula de portugués, em vez daquelas coisas chatas. Esperemos que um dia percebam que há novos autores portugueses maravilhosos por aí, que apelarão muito mais ao gosto dos jovens de hoje em dia e que motivarão muito mais à leitura.

Obrigada Miguel Ribeiro por esta obra incrível e mais uma vez desculpe por ter demorado tanto tempo a lê-la. Espero por mais histórias maravilhosas que me aqueçam o coração, tal como este.

Nunca desistas de voar ❤
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quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Britt-Marie esteve aqui - Fredrick Backman


Título| Britt-Marie esteve aqui
Autor| Fredrick Backman
Editor| Porto Editora
Páginas| 304

Este foi daqueles livros que entrou de mansinho na minha vida, mas fez morada certa no meu coração. Comecei por vê-lo nos stories das outras pessoas, até que decidi pesquisar a sinopse e achei que seria uma boa história para ler naquel momento. Algo mais leve e engraçado do que andava a ler. Quando ele chegou cá a casa pensei "vou ler só o primeiro capítulo, para ver o que acho", mas não consegui parar até terminá-lo.

Britt-Marie é uma mulher séria, à antiga pode-se dizer e com muitas regras que impõe a si própria. Preocupa-se demasiado com o que os outros podem ou não achar e quando descobre que o seu marido a trai, decide dar uma volta à sua vida e arranjar um emprego.

Vamos começar por pôr os pontos nos "is" e concordar que ela é doida hahaha ou pelo menos foi o que pensei várias vezes nos primeiros capítulos. Todas as cenas com a menina do centro de emprego (entendedores entenderão) foram simplesmente hilariantes e todas as "missões de limpeza" davam-me vontade de começar a limpar também hahaha 

É uma história que começa de forma leve, mas que quando percebemos e olhamos bem, está repleto de mensagens. É muito lindo ver como a comunidade se apoia e estão lá uns para os outros. Britt-Marie nunca dependeu dos outros e demorou mas aprendeu que aceitar ajuda não é fraqueza.

Os miúdos acabam por atirar à cara tudo que até nós leitores pensavamos enquanto líamos e é engraçado vê-la a aprender a lidar com as situações. Britt-Marie em Borg aprendeu que o amor próprio é mais importante que qualquer coisa no mundo e que nunca devemos delegar os nossos sonhos para segundo plano.

O final deste livro é arrebatador e confesso que esperava algo cliché que não veio a acontecer (os meus parabéns à autora por isso). Imagino-o perfeitamente como um bom filme que vai arrancar gargalhadas e lágrimas a toda a gente. 

I was here ❤
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quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Peripécias do Coração - Julia Quinn


Título| Peripécias do Coração
Série| Os Bridgerton
Autor| Julia Quinn
Editor| ASA
Páginas| 384

E é oficial que estou apaixonada pela família Bridgerton e juntei-me ao grupo que já não consegue esperar mais pela adaptação da netflix. Só peço que seja boa e minimamente fidedigna à história original. 

Mas falando deste livro em particular, vou confessar-vos que tive algumas ressalvas no início. É preciso lembrar que são romances clichés e obviamente já sabemos quem será o casal principal e como tudo se vai desenrolar, por isso, não creio que nada do que eu diga aqui seja spoiler. No entanto, se preferem não saber absolutamente nada desta história, aconselho-vos a ler esta resenha na diagonal.

Aqui vamos ter o romance de Anthony (o Bridgerton mais velho) e Kate Sheffield. Era suposto ele cortejar a Edwina Sheffield, mas já sabemos que ninguém manda no coração e as coisas não correm bem como ele pretendia. Mais uma vez adorei os momentos em família e ri imenso com os irmãos. As personagens femininas são, na sua maioria, fortes, inteligentes e capazes.

O que me fez torcer o nariz é que achei o motivo do casamento muito parecido ao de Daphne e Simon (quem leu ambos acho que sabe ao que me refiro). Também não achei a personalidade do Anthony concordante com o que nos apresentaram ou deram a entender no livro anterior. Mostraram um homem assertivo, direto, estudioso, resmungão e organizado... sendo que aqui parecia muito mais "libertino", sedutor e fanfarrão e não era o que esperava.

Mesmo assim adorei a história e o romance. É inevitável, vou sempre gostar do romance cliché em que os personagens começam por se odiar hahaha acho um 'must' as discussões e ferroadas que dão um ao outro. Acabei também por me render a outra família, as Sheffield, que são mulheres maravilhosas. A Edwina é mais calma e sonhadora que a Kate, mas mostra que também sabe se impôr e falar quando sente necessidade. Já a Mary aqueceu o meu coração ❤ uma madrasta que realmente fez papel de mãe, super amorosa e engraçada.

Já tenho aqui o terceiro livro e vou já começá-lo. Queria só escrever esta resenha primeiro para depois não confundir as histórias. Estou ansiosa por saber como vai ser arrebatado o coração do Benedict (irmão Bridgerton do próximo livro).

Bridgertons ❤
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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Perdida - P.C. Cast e Kristin Cast


Título| Perseguida
Série| Outro Mundo (Spin-off Casa da Noite)
Autor| P.C. Cast e Kristin Cast
Editor| Saída de Emergência
Páginas| 368

E quando tu achas que esta série não vai acabar mais com as tuas emoções... pumba. Foram tantos plot twist que eu nem sei. No livro anterior (resenha aqui) conhecemos o Outro Kevin e eu passei logo a gostar dele. Foi muito bom ver a Zoey a ter finalmente algum contacto feliz com a família (para além da avó, claro). 

Não posso deixar de falar na Afrodite, já que na outra resenha não podia dar spoiler, mas agora posso, face ao livro anterior. Ela é tão incrível e uma personagem tão completa. Passou por tanto e só quem teve uma mãe tóxica e destrutiva como a dela (Hi!), que acaba por afetar todos os aspetos da sua vida é que pode compreender o quanto é difícil viver assim. Mas ela cresceu tanto ao longo da série inteira e tem vindo a crescer ainda mais neste spin-off. Acho um pouco injusto ela ter que dar e dar e sofrer tanto, mas pelo menos tem o Dário.

Neste livro vamos com o Outro Kevin para o Outro Mundo e é tão giro conhecer-mos as nossas personagens de uma perspetiva diferente e revermos alguns que já não estão vivos no mundo original. É de salientar que a avó Redbird é incrível seja qual for o mundo não é verdade? Achei muito boa toda a ideia de uma resistência contra um exército de vampiros vermelhos. Tem toda uma analogia com a opressão, os tiranos, as pessoas que são perseguidas por serem consideradas diferentes e inferiores... É um livro que traz uma mensagem bem forte, apesar de ser num mundo de vampiros.

Confesso que fiquei triste com uma situação e vou apenas dar-vos uma palavra: Heath... Eu adoro o Stark, mas sempre torci pela Zoey e o Heath porque não tem como não amar aquele rapaz. Esperava mais do "encontro" deles e daquilo que iria acontecer, mas perfeito totalmente a decisão das autoras e achei bastante sensato. Para além disso, com toda esta situação, o Stark só provou que realmente é um rapaz às direitas e que merece tudo.

Não sei como falar mais sem dar spoiler. Preciso de alguém que já tinha lido para poder falar abertamente, mas posso incitar-vos a ler, porque vale a pena. Para quem nunca teve contacto com esta série, eu sei que o número de livros pode assustar, mas acreditem piamente que vale cada segundo. É um mundo bem construído, e embora os primeiros livros sejam mais juvenis, há toda uma evolução incrível seja de escrita, de enredo ou de personagens. Espero ansiosamente pelo próximo e que a editora consiga ser tão rápida a lança-lo como foi com este.

Feliz encontro. Feliz despedida. Feliz reencontro ❤
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sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Crónica de Paixões & Caprichos - Julia Quinn



Título| Crónicas de Paixões & Carichos
Série| Os Bridgerton
Autor| Julia Quinn
Editor| Edições Asa
Páginas| 368

Romance de época não é, de todo, um estilo que me atraia, mas desde sempre que tive curiosidade em ler algo da Júlia Quinn, uma autora muito enaltecida no que diz respeito a este género literário. Eis que sai a notícia de que a série "Os Bridgerton" vai ser adaptada para série pela netflix e a minha curiosidade só aumentou. Como se não bastasse, comecei a ver o instagram ser bombardeado com memes e cenas dos livros, muitos deles hilariantes que só me deram ainda mais vontade de ler... e, por isso, lá fui eu...

Aqui temos a história de Daphne Bridgerton (na medida em que cada livro acompanha um dos irmãos) e Simon Basset. Daphne é atormentada pela mãe e pela sociedade para arranjar um noivo, mas a jovem pretende casar por amor... Já Simon, um atraente duque solteiro, está de volta a Inglaterra e não sabe o que o espera por parte das mães casamenteiras e da suas filhas. Após se conhecerem num baile, surge a ideia de forjarem um noivado, para que Daphne passe a ser cobiçada e Simon pare de ser atormentado. 

A história é cliché? É básica? É previsível? É sim senhora, mas percebi o dom da autora. Mais do que escrever histórias, Julia Quinn tem o dom de criar personagens incríveis. Sabem aquele grupo de amigos que vocês têm, que passam horas a conversar sobre tudo e nada, por vezes coisas sem importância, mas poderiam ficar ali a noite toda a ouvir? É assim a família Bridgerton. São divertidos, carismáticos, adoráveis, boas pessoas, uma família unida... e o que falar do humor? Todos têm um humor negro e sarcástico simplesmente apaixonante.

Comecemos pela mãe desta família, a Violet Bridgerton. Pela sinopse esperava aquele tipo de mãe chata, que só quer que os filhos arranjem bons partidos e que, por vezes, são até cruéis... mas nada disso. Que mulher inteligente, amável, perspicaz e força da natureza. Ri tanto em muitas cenas com ela que nem sei! Passando logo para os irmãos de Daphne, principalmente Anthony, Benedict e Colin, meus amigos, quero estes aqui como irmãos mais velhos ou primos hahahaha mas que personagens. Já me vejo ansiosa pelos próximos livros para conhecer as histórias deles.

Chegando agora aos nossos protagonistas, Daphne é uma jovem muito inteligente e "avançada" para a sua época. Alegrou-me não encontrar aquela típica personagem que também é contra tudo e revolucionária, que não quer casar ou que chega a ser mal educada... não não... Daphne quer casar, quer tudo a que tem direito, mas não tem medo de falar o que pensa e tem um gancho de direita bem forte hahaha Afinal com tantos irmãos mais velhos, uma pessoa tem de aprender alguma coisa não é?

Achei o amor que ela nutria pelo Simon muito repentino, mas acreditei sabem? Afinal é uma jovem sonhadora. E o que dizer do nosso querido duque? Conforme ia lendo não sabia muito bem o que achar dele. Sabemos que Simon teve uma infância difícil, o que o levou a tornar-se um libertino, mas percebemos que ali há algo mais e eu adorava as conversas/discussões entre ele e a Daphne. É claro que acabei por torcer por eles e muito e achei a história muito fofa.

Como já mencionei, não esperem algo completamente diferente do que leram até agora, mas o bom aqui são os personagens e os diálogos. Quero ler a série inteira e estou muito curiosa com a adaptação.

Ai família Bridgerton ❤
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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Daugther of Smoke and Bones - Laini Taylor


Não queria despedir-me desta história, mas tenho de o fazer. Li os três livros em menos de uma semana e é-me impossível largar estes personagens e esta história. Para ser sincera... terminei o último livro há mais ao menos 5 minutos e senti que tinha que escrever, no entanto, não me é possível fazer uma resenha correta e linear, pois tudo o que tenho dentro de mim são sentimentos conturbados.

Começo por salientar que é triste que cá em portugal esta história não tenha o devido reconhecimento, talvez devido à tradução dos títulos, o que faz com que muita gente não saiba que se trata da aclamada trilogia "Daugther of Smoke and Bones (Feita de Fumaça e Osso, no  Brasil), mas, no que depender de mim, mais pessoas terão conhecimento dela.

Laini Taylor criou um mundo incrível, bem estruturado, que embora se trate de fantasia revela tanto sobre o mundo em que hoje vivemos: opressão às minorias e ao que é diferente, preconceito ao desconhecido, futilidades baseadas em aspeto físico... As personagens são todas bem desenvolvidas e com personalidades muito fortes. São seres que acreditamos que, talvez, numa realidade paralela, ou, tal como é referido, noutras camadas do universo, sejam reais.

Comecei esta trilogia sem expectatitvas e confesso que não me prendeu de logo início. Eu, que preciso sempre de um pouquinho de romance para me ver presa à história, achei que se tratava de um instalove, que me fez torcer o nariz, mas que se mostrou ser muito mais que isso. Akiva e Karou são duas almas gémeas, no verdadeiro sentido da expressão e não me refiro a algo feito ou construído, mas algo que se nota, que se percebe e que se vê desabrochar. 

Adorei as quimeras e sem dúvida que as minhas favoritas foram o Ziri e a Issa. O que o meu coração sofreu pelo Ziri, mas ainda bem que teve um final digno e feliz e não posso dizer que não torci por aquele romance. No que diz respeito aos anjos, claro que a Liraz é uma força da natureza, o verdadeiro significado de girl power, mas, por vezes, tão vazia que só dava vontade de abraçar e mostrar-lhe o que o mundo era mais que guerra e morte e como podia ser a felicidade. Mas todo o meu amor vai para a Zuzana, neck-neck lindo da minha vida, bailarina de metro e meia que mostra que a força está totalmente na personalidade. O que eu me ri com ela e com o Mik. Para mim são o grande casal desta história e se já não tivesse um amor como eles (momento para "ooowwwnnn") era agora que o desejaria.

O final deste enredo ficou um pouco confuso para mim e, se pudesse escolher, não colocaria tanto sofrimento para os nossos protagonistas, porque para mim é um meio final feliz, mas percebo as decisões da autora e tudo o que foi decidido só engrandeceu a narrativa. Finalmente posso dizer que li um bom livro com anjos e que na verdade se tornou um favorito. Recomendo mais que tudo e, caso já tenham lido, por favor falem comigo.

"Alguns e depois mais" ❤
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segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Lá, Onde o Vento Chora - Delia Owens



Título| Lá, Onde o Vento Chora
Autor| Delia Owens
Editor| Porto Editora
Páginas| 392

Não sei nem por onde começar... Um livro que deu que falar desde que saiu, mas que me deixou sempre de pé atrás. Faz tempo que não lia um livro deste género, visto que vivo apaixonada pelas distopias e fantasias, mas faltava esta leitura na minha vida e eu nem sabia.

Aqui temos a história da Kya, uma menina de 6 anos que vê todos os elementos da família a abandoná-la até dar por si totalmente só. Assim, ela aprende, tão nova, a ser autossuficiente e independente e vive sozinha no pantanal. Isolada, fugidia e solitária, Kya torna-se um alvo para a cidade, que acham diferente e esquisita. Eis que Case Andrews, cidadão charmoso e popular, aparece morto e tudo aponta para Kya, a miúda do pantanal.

Lembro-me de nalguma resenha alguém ter dito que este livro era "prosa poética" e não vejo melhor forma de descrevê-lo. Eu, que não costumo ter paciência para descrições, vi-me completamente rendida e apaixonada pela escrita. Cada frase transmite profundidade e faz-nos querer viver com a natureza.

Kya é uma personagem incrivelmente complexa e bem escrita. Acompanhamos toda a sua história, desde os 6 anos em que se vê sozinha no mundo, até aos seus 25 anos, uma mulher incrível, acusada de homicídio. Vivemos com ela e as suas descobertas sobre o amor, sobre a sociedade, sobre a natureza, sobre o que é ser mulher... sobre a vida!

Delia Owens soube transmitir com palavras o amor pela natureza, a solidão e o isolamento, o poder da desconfiança, o medo pelo desconhecido, a força para sobreviver... Esperava um romance e ganhei uma lição de vida, com policial e mistério à mistura. Não sei muito mais o que dizer, mas procurem mais resenhas porque vi cada uma melhor que a outra, de pessoas que conseguem exprimir-se melhor que eu. Mas o importante é que leiam.

 Vive ❤
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