quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Dumplin' - Julie Murphy


Título| Dumplin'
Autor| Julie Murphy

Antes de começar-mos com a resenha quero que percebam uma coisa muito importante: gorda não é um insulto. Gorda é uma palavra como outra qualquer, que se torna um insulto pelas pessoas que o usam ou aceitam como tal. Não há cá gordinha, fofinha ou fortezinha... é gorda. E está tudo bem!

Willowdean Dickson é a nossa protagonista de 16 anos, a quem a sua mãe (ex-miss) chama Dumplin, que seria algo como "bolinho frito". Gorda e com a auto-estima lá em cima, nunca sentiu problemas com o seu corpo ou com a sua vida. Trabalha num restaurante chamado Harpy's Burgers & Dog, com aquele que é o seu crush, o Bo. A sua melhor amiga é a Ellen, com que partilha o amor pela cantora Dolly Parton. A mãe da Dumplin dirige o concurso Miss Jovem Flor do Texas, no qual ela nunca pensou em participar... até agora!

Ela começa a sentir-se insegura com o seu corpo quando Bo mostra que o sentimento é recíproco. A partir de então, surgem sentimentos conflituosos e divergentes na mente de Dumplin. Afinal ela sempre foi alguém que defendeu que cada qual é como é, mas cada vez que Bo lhe toca, ela sente-se receosa e envergonhada. Ela acaba por decididir participar no concurso de miss, afinal não existe nenhuma cláusula que diz que ela não o possa fazer e, várias meninas que também se sentiam de alguma forma inseguras com a sua imagem, acabam por ganhar coragem para participar também.

"Há algo no biquíni que faz com que as mulheres achem que precisam conquistar o direito de usá-lo. E isso é um absurdo. Na verdade, o critério é muito simples: você tem um corpo não tem? Então veste um e manda ver!"

Eu acabei por adorar a Willowdean do fundo do meu coração. Ela sabia que era gorda e não via um problema nisso mas, independentemente de sermos gordos ou magros, todos nós passamos por uma fase de insegurança com o nosso corpo e nunca estamos satisfeitos a 100% com aquilo que deus nos deu. No entanto, em nenhum momento do livro existe aquela típica mudança de imagem para que os outros gostem dela. Ela entende que é algo que precisa aceitar e de se sentir bem consigo mesma.

Este livro foi além das minhas expectativas. Para além de falar de gordofobia, fala sobre outros tipos de bullying. Gostei de ambos os meninos aqui no livro (não posso dar spoilers) e confesso que em muitas cenas fiquei indecisa no meio deste triângulo amoroso. Também fala sobre a amizade e sobre um ponto em específico que eu já tive que ultrapassar: as mudanças e crescimento pessoal, as diferenças e o afastamento. No meio disto tudo, também existe tempo para falar de aceitação por parte dos pais, do medo de falhar, do poder da superioridade e ... drag queens 😂

Livro x Filme
Agora vamos falar sobre a adaptação, que foi o que primeiramente me fez querer ler este livro. Agora que tomei conhecimento de ambos, posso fazer uma breve comparação e dizer-vos o que achei. No filme temos Danielle Macdonald, como Dumplin e Jennifer Aniston como sua mãe.

Confesso que inicialmente torci um bocado o nariz para a Danielle Macdonald, mas acabei por gostar da representação dela. Já a Jennifer Aniston foi incrível tal como eu esperava. Mas quem merece os meus parabéns é a Maddie Baillio, que fez com que a Millie se tornasse a minha personagem favorita no filme.

É bom salientar que existem bastantes diferenças entre o livro e a sua adaptação, que pode agradar a uns e desiludir a outros. Eu acho que me encontro no meio, porque ainda estou a absorver as minhas emoções 😂 Posso já adiantar que quem se queixou do romance no livro, vai adorar o filme, visto que se focaram completamente no concurso e nem sequer existe um triângulo amoroso #chateada

Eu, particularmente, gostava de ter visto mais do romance. Muita coisa acontece no livro, enquanto que no filme temos um pouquinho de história no início e depois só voltamos a isso no final. A desavença entre a Dumplin' e a Ellen também perdeu relevância, sendo tratada de uma forma mais leviana, o que eu não gostei. Para mim foi um dos assuntos importantes do livro, pois é algo muito real e que talvez ajudasse algumas meninas que sentem que se estão a afastar das melhores amigas e não compreendem. Todos já passamos por isso! Também cortaram um dos meus momentos favoritos: a conversa entre a Dumplin´e a Hannah, na festa do pijama em casa da Millie.

Mas nem todas as mudanças são más! Como eu já disse, adorei a Millie e acho que lhe deram mais destaque, sendo que ela representa duas personagens do livro, mas acho que foi melhor assim. A mãe da Dumplin' também estava muito melhor! No livro, ela nunca chega realmente a mostrar as suas emoções, sendo muito fria e "abonecada", já no filme, a maioria das cenas que me fizeram chorar, foi as que ela protagonizou.

Por fim, adorei as drag queens! Para quem não sabe eu sou muito fã de Ru Paul's Drag Race e aparece uma ex-concorrente que eu gostava (não vou dizer qual hahaha vão ter que ver o filme ou pesquisar). Achei tudo lindo e das cenas mais amorosas são com elas, assim como as mais divertidas.

Conclusão final: acho que o livro ganha, mas por pouco, mas acho que o filme vale a pena. Leiam o livro primeiro, mas não deixem de ver a adaptação. E agora apetece-me ouvir as músicas da Dolly Parton, principalmente esta versão da Miley Cyrus.


"Jolene! Jolene! Jolene! Joooooleeeene!"
Beijinhos

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Filhos de Sangue e Osso - Tomi Adeyemi

Título| Filhos de Sangue e Osso
Série| O Legado de Orïsha
Autor| Tomi Adeyemi
Editora| Planeta
Páginas| 480

Segunda leitura do ano, mas eu já coloquei como um dos favoritos, se não "o favorito", de 2019! Um livro que anda nas bocas do mundo, que parece que toda a gente leu e vi muita gente a recebê-lo como prenda de natal 👀 incluindo o meu, que foi prenda do morzinho. Apesar disso, vou confessar, eu estava com as expectativas em baixo. Acontece que eu meio que sou a "ovelha negra dos leitores", entendem? Na maioria das vezes que as pessoas falam muito de um livro e 99% ama, eu estou sempre nos 1% que não gosta (John Green cof cof)... Mas graças aos deuses, não foi isso que aconteceu...


Para quem não conhece a história, Filhos de Sangue e Osso apresenta-nos Orïsha, uma terra onde a magia foi erradicada há 11 anos atrás, pelo rei, que temia esses poderes. A nossa protagonista é a Zélie, uma diviner (diviners são reconhecidos pelo seus cabelos brancos e acabam por se tornar em majis, quando os seus poderes são revelados). Ela carrega um grande ódio no seu coração, pois viu todos os maji, incluindo a sua mãe, serem acorrentados e mortos pelo rei, devido à sua magia. Todos pensam que a magia foi extinta, mas devido a um encontro do destino, Zélie fica a saber que existe uma forma de a trazer de voltar e tudo depende dela.

A partir daqui nós acompanhámos as aventuras, peripécias e confusões desta jornada. Não quero dizer-vos quem são os seus companheiros porque acho que o surpreendente desta história é ir descobrindo essas pequenas coisas. Eu li apenas a sinopse que não nos entrega muito sobre a história e o restante fui lendo e descobrindo, por isso, quero dar-vos também essa oportunidade. Posso só dizer que é um pequeno grupo incrível, que já rivaliza no meu coração, pelo lugar que pertence ao trio "Harry, Ron e Hermione" ❤

Aqui a magia provém dos deuses, envolvendo a mitologia africana. Cada deus concede um tipo de poder diferente, sendo 10 ao todo e, cada um deles, forma um clã de maji diferente. Eu gostei muito da forma como a autora criou o sistema de magia e a sua organização, sendo que no início do livro temos uma espécie de glossários com as explicações dos clãs e dos respetivos deuses e poderes.

É uma história fantástica e com vários plot twist! O mundo foi muito bem criado e as personagens otimamente bem construídas. O facto de se basear na mitologia africana e de todos os personagens serem negros, dá um diferencial que torna tudo ainda mais incrível, dando voz a minorias e trazendo uma crítica social muito forte.

Traz vários outros assuntos muito reais e importantes como as expectativas da família, a escolha sobre quem queremos ser, a amizade e como os amigos podem ser a família que escolhemos, as escolhas difíceis que podem ou não mudar a nossa vida e a dos outros, o amor próprio e o poder de acreditarmos em nós, as aparências e primeiras impressões e o quanto podemos estar errados acerca das pessoas...

Apesar de não querer falar muito sobre os personagens, tenho que mencionar a Amari. A nossa prencesinha que vai crescer tanto e revelar-se uma mulher incrível. É alguém em que se nota o real crescimento ao longo do livro e de quem ficámos imensamente orgulhosos quando ele termina. É uma guerreira e tenho a certeza que ela vai ser ainda mais incrível nos próximos livros.

Os direitos para o cinema já foram adquiridos e eu não poderia estar mais ansiosa. Será o filme com maior percentagem de atores negros até agora, sendo que se estima que 98% do filme, ou até mesmo todo o elenco, será composto por pessoas negras 💪 Já prevejo um elenco foda!

Não posso dizer mais, a não ser que leiam! Juro que vai mudar as vossas vidas! Eu já favoritei, já quero andar com o livro para todo o lado e preciso que a editora lance a continuação, mal ela seja lançada lá fora (que será ainda este ano). Caso já tenham lido e precisem de conversar, porque eu sei que precisam, basta que me chamem nalguma rede social 💙

"Somos todos filhos de sangue e osso"
Beijinhos

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

12 livros para 2019

Olá meus amores! 
Há sempre um ou outro livro que eu quero muito ler, mas quando chega a hora de escolher a próxima leitura, nunca me lembro deles. Por isso, escolhi 12 livros que quero ler em 2019 (vou tentar inseri-los nas metas que já criei aqui e nos desafios em que me inscrevi aqui). São livros que já me recomendaram, que estão na minha lista há muito tempo ou que quero muito ler e decidi que deste ano não passa. Querem saber quais são? 👀


Estes três livrinhos fazem parte de uma nova série, a DC Iconics, em que as histórias dos super-heróis são contadas por vários novos autores famosos. Eu não me interessei muito quando saiu Batman (Marie Lu) e Mulher-Maravilha (Leigh Bardugo), mas quando soube que Catwoman ia ser escrito pela Sarah J. Maas decidi ler todos. Não sei se as histórias têm relação e se é preciso ler em ordem, mas penso que não.


Dumplin (Julie Murphy) é um livro que já quero ler há bastante tempo, mas agora quero mais ainda porque vai ser lançado o filme este ano, pela netflix. O mesmo acontece com O Ódio que Semeias (Angie Thomas), porque quero mesmo muito ler antes de ver a adaptação. Broken - Despedaçada (Tânia Dias) é de uma autora portuguesa, super fofa, que me desponibilizou o livro para fazer resenha e eu estou ansiosa para ler.


Ganhei Light Years (Kass Morgan) através da caixinha literária do Ouriço Caixeiro e entrou logo para a minha lista. Para quem está a reconhecer o nome da autora, foi ela quem escreveu os livros que inspiraram a série The 100. Filhos de Sangue e Osso (Tomi Adeymi) tem sido dos livros que mais vejo falar no instagram ultimamente e só ouço críticas boas, por isso, pedi como prendinha de Natal e quero muito lê-lo. A Rapariga que Bebeu a Lua (Kelly Barnhill) é um infanto-juvenil, mas teve muito boas críticas e a sinopse interessou-me muito.


Fera (Brie Spangler) já está na minha lista há muito tempo e é agora que finalmente vou ler. É um romance LGBTQ+ inspirado, tal como o título indica, no conto da Bela e o Monstro. Serafina e o Manto Negro (Robert Beatty) é mais um infanto-juvenil que tem sido muito bem comentado e que eu já quero ler desde que saiu. Por último e não menos importante, quero muito ler Os Criadores de Coincidências (Yoav Blum), por influência da menina Nati (@livrosdanati).

E são estes os famosos livrinhos ❤ Já leram algum deles? Deixem a vossa opinião nos comentários e assim ajudam-me a decidir qual ler primeiro ok? Mesmo que não tenham lido nenhum também podem votar naquele que têm mais curiosidade.

#12livrospara2019
Beijinhos